Pesquisa identifica neurônios que determinam depressão

Descoberta pode ajudar ciência a traçar tratamento promissor

iG Minas Gerais |

Situação. Estudo identificou neurônios que determinam se indivíduo vai ser deprimido quando em contato com o estresse
arquivo stockxpert
Situação. Estudo identificou neurônios que determinam se indivíduo vai ser deprimido quando em contato com o estresse

Nova York, EUA. Um estudo conduzido no Laboratório de Cold Spring Harbor, nos Estados Unidos, mostra que pesquisadores identificaram os neurônios que determinam se um indivíduo vai ser deprimido ou resiliente (ou seja, se terá poder de recuperação) quando em contato com o estresse.

A pesquisa, publicada nesta semana na revista científica “The Journal of Neuroscience”, é mais uma que busca entender a doença que atinge mais de 20% das pessoas em algum ponto da vida.

A novidade pode representar a descoberta de um marcador neurológico de depressão, algo que ainda é inédito nos estudos científicos sobre o tema.

Depois de anos analisando as imagens do cérebro para procurar mudanças neurais durante a depressão, os cientistas descobriram que a região conhecida como córtex pré-frontal medial se torna hiperativa nas pessoas deprimidas. Essa área é bem conhecida por desempenhar um papel no controle das emoções e do comportamento, ligando nossos sentimentos às nossas ações.

Mas os escaneamentos cerebrais não foram suficientes para determinar se o crescimento da atividade no córtex pré-frontal medial causa a depressão, ou se esse resultado é simplesmente um subproduto de outras doenças neurais.

Dessa forma, o professor Bo Li, que liderou o estudo, partiu para identificar as mudanças neurais que são subjacentes à depressão. No trabalho publicado, ele e seu time usaram um modelo de depressão para ratos, chamado “desamparo aprendido”.

Assim, eles combinaram esse modelo com um truque genético para marcar os neurônios específicos que respondem ao estresse, descobrindo que os do córtex pré-frontal medial se tornam altamente excitados em ratos que estão deprimidos.

De acordo com os cientistas, esses mesmos neurônios ficam fragilizados em ratos que não estão dissuadidos pelo estresse – o que os especialistas chamam de camundongos resilientes.

Depois, com a ajuda de química genética, os pesquisadores envolvidos aumentaram artificialmente a atividade neural nos ratos de laboratório.

Os resultados foram notáveis: os ratinhos uma vez fortes e resilientes se tornaram desamparados, mostrando todos os sintomas clássicos da depressão.

Objetivo. O estudo internacional pode ajudar na criação de um novo e promissor tratamento para a depressão. Agora, o desafio dos cientistas é explorar como os neurônios do córtex pré-frontal medial se tornam hiperativos.

Dessa forma, os avanços da ciência procuram desvendar a depressão e suas formas de prevenção e tratamento.

Flash

O que é. Nossos neurônios são células do sistema nervoso que respondem pela condução pelo corpo do impulso nervoso.

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