Uma em cada quatro pessoas tem a síndrome da fome oculta

Sem a reposição de nutrientes, quadro se agrava para doenças como osteoporose

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

São Paulo. Você costuma ouvir os “sinais” emitidos pelo corpo sobre a sua saúde? Crises de mau humor, dificuldade para dormir, falta de disposição e imunidade baixa podem estar diretamente ligadas à carência de micronutrientes, como vitaminas e minerais. A também conhecida como “síndrome da fome oculta” atinge uma em cada quatro pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), e, se não tratada devidamente, pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças.

Apesar de identificar alguns desses sinais no dia a dia, menos de um terço das pessoas ingere frutas, verduras e legumes regularmente, 59% não comem alimentos integrais e 47% consomem produtos industrializados com frequência. Mesmo assim, 68% dos brasileiros, sendo 71% dos homens e 65% das mulheres, acreditam que sua alimentação é saudável (veja infográfico).

Isso é o que revela a pesquisa Manifesto do Corpo Saudável, realizada entre os dias 12 e 14 de maio pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em parceria com o laboratório farmacêutico Pfizer. O objetivo do estudo é destacar esses principais sinais que o corpo dá quando está malnutrido, além de alertar e conscientizar a população sobre a importância dos hábitos alimentares.

Após ouvir 500 homens e mulheres acima de 18 anos, das classes A, B e C, foram selecionadas quatro indicações do problema, em média, por pessoa. Segundo o estudo, mau humor, sono, cansaço e apetite irregular foram os problemas mais comuns vivenciados pelos entrevistados, seguidos pelo mau funcionamento intestinal, unhas quebradiças e pele sem viço, principalmente quando correlacionados à alimentação.

Alimentação. Segundo a nutróloga Valéria Goulart, as pessoas se preocupam muito mais com a deficiência dos macronutrientes, como proteína e carboidrato, que levam à desnutrição – caso que atinge 7% das crianças brasileiras. “Mas a fome oculta também é um problema muito comum, que está presente em cerca de 70% da população e é gerado pela deficiência da ingestão de micronutrientes – vitaminas e minerais como ferro, zinco, iodo e cálcio”, explica o membro da Abran.

A maioria da população sabe da importância de uma nutrição saudável, mas não incorpora algumas práticas no seu dia a dia. Além disso, o diagnóstico do problema não é simples. Uma alimentação carregada de comida de fast foods pode vir a alterar o metabolismo e prejudicar a absorção de nutrientes.

Porém, caso a falta de hábito de uma alimentação saudável persista, o quadro pode se agravar. Valéria explica que a síndrome é a carência de um ou mais nutrientes e provoca alterações silenciosa. Essas alterações podem deixar sequelas e evoluir progressivamente.

“Carência de cálcio é fome oculta. Às vezes, pessoas não têm ideia do que realmente possuem. Geralmente, (a condição) é gradual, se não faz correção, é progressiva. Se não repõe (nutrientes), vão acabar os estoques. Se (a pessoa) realmente tem alimentação saudável, vai manter diversas funções metabólicas do corpo. O corpo precisa de combustível adequado”, explica Valéria.

Sem esse combustível, o organismo pode desenvolver doenças como a degeneração macular e a osteoporose. “A degeneração macular é um problema grave de visão, considerada uma das maiores causas de cegueira no mundo. Parte do tratamento vem de substancias derivadas da vitamina A”, afirma.

Além disso, destaca a nutróloga, a baixa ingestão de cálcio após os 40 anos pode levar a casos de osteopenia e osteoporose. “Já se sabe que em casos de crise asmática, se associada à ingestão do magnésio, melhora bastante. Outro exemplo é esclerose múltipla. Existem trabalhos mostrando que altas doses de vitamina D podem levar à estagnação da doença”.

A repórter viajou a convite da Pfizer.

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