Os delicados pedem desculpas e se retiram de cena – como Milton

iG Minas Gerais |

DUKE
undefined

Já me referi a isso aqui noutras oportunidades, mas a repetição é às vezes necessária na política e no direito. Há mais de 40 anos, meu irmão Otto Lara Resende já dizia, para o espanto de alguns, que a política é a arte de enfiar a mão “naquilo”. Deixo de usar a palavra (você a conhece) por respeito aos imberbes. Os delicados, concluiu Otto, referindo-se a Milton Campos, pedem desculpas e se retiram de cena. Claro que Otto se referia ao exercício da política ou à sua prática, que se distancia da teoria. Não à boa política, que existe. Sobretudo agora, a lembrança da frase nos serve como uma luva. A aversão que se tem hoje à política (improcedente) e aos políticos (procedente) tem suas razões fincadas na realidade, mas é preciso que se pense mais um pouco entre o falar e o agir. Denegrir um instrumento, que é ciência e arte, e que é o que nos permite governar bem os povos, no barato, cheira a imprudência, mas, pensando bem, só faz mal ao regime democrático. O cansaço que se abateu sobre os brasileiros (72% querem mudança) tem motivos para existir, mas não justifica, em nenhuma hipótese, a violência, seja por meio da palavra (como ocorre na internet), seja por meio de quaisquer manifestações. O jornalista Valdo Cruz, da “Folha de S.Paulo”, considera que a grande vítima desse cansaço é a presidente. “Em Minas, disse ele, ela terá que se esforçar para provar que é mais mineira do que gaúcha”. Valdo não disse, mas poderia ter dito que, no Rio Grande do Sul, Dilma terá que se esforçar muito mais para provar que é “mais gaúcha do que mineira”. Ou seja: as coisas não estão boas para ela. Ruins, também, estão as coisas para o PSB. Na última segunda-feira, Eduardo Campos fez o que pôde para não se encontrar com o senador Aécio Neves na cerimônia do Prêmio Top Etanol, em São Paulo. Depois do encontro entre os dois, na ilha de Comandatuba, na Bahia, no princípio do mês de maio, o pernambucano se distanciou do mineiro. A afirmação de Aécio, na ocasião, de que a convergência dos dois, em 2015, era certa, soou ao socialista como sinal de arrogância. Mas as coisas em política, quando estão ruins, o mais provável é que se agravem. Depois da “ótima entrevista” do mineiro no programa “Roda Viva” (expressão usada, no fim, por Augusto Nunes, seu coordenador), mas, sobretudo, depois dos 16 pontos à frente de Dilma, em Minas, a quatro meses das eleições, conforme pesquisa DataTempo divulgada nessa terça-feira, piorou, nas hostes socialistas e, talvez, na própria Rede Solidariedade, o gosto amargo do arrependimento. Com a aliança, as coisas para o PSB, dizem alguns socialistas, poderiam ser melhores, pelo menos em Minas e Pernambuco, em relação às eleições proporcionais. Agora, a receita de candidato próprio tende a desandar. Enfim, o PSB busca sacrificar um dos seus mais ativos deputados federais, que, por atos e gestos, desde o início, manifestou o desejo de se aliar a Pimenta da Veiga/Diniz Pinheiro e Antonio Anastasia. Todavia, novamente pressionado por Marina Silva, e contra a expectativa do prefeito Marcio Lacerda, Campos pôs fim à aliança: “A tendência mais forte, e que está crescendo, é a de lançar candidato o deputado Júlio Delgado”. Para alguns, a decisão é um haraquiri político… Muitos dos dados da pesquisa DataTempo sobre as eleições para o governo de Minas deverão piorar ainda mais o estado de espírito do PSB e do PT – coisa na qual, aliás, até os incréus acreditam. E como é grande aqui o número de incréus!

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave