Magnitude dos protestos

iG Minas Gerais |

A uma semana do início da Copa do Mundo no Brasil, a grande expectativa para uma parcela da população (principalmente os políticos) se refere mais ao que vai ocorrer nas ruas do que dentro das quatro linhas. A certeza dos protestos no Mundial pode ser comparada à da realização dos jogos, mas a dúvida é qual será a magnitude deles. Pesquisa DataTempo divulgada ontem mostra um “empate técnico” entre os que são a favor (47%) e os contrários (48,6%) à realização de protestos no evento esportivo. Entre os entrevistados, 73,8% não pretendem participar das manifestações, ou seja, parte de quem defende os protestos não pretende ir às ruas. Há um ano, em meio às manifestações que tomaram o país durante a Copa das Confederações, pesquisa Ibope apontava que 75% das pessoas apoiavam os protestos e 35% dos que não participaram de algum movimento nas ruas pretendiam fazê-lo. No levantamento do DataTempo, esse índice é de 24,1%. O que mudou então? Medo de os protestos descambarem para anarquia e violência gratuita, atingindo o Estado e a sociedade, sem que eles saibam exatamente de onde vêm e por que estão sendo atacados? Apenas como observador, arrisco a dizer que a parcela da população que foi às ruas para reivindicar dos governantes a transformação de seus impostos em serviços de qualidade se mantém indignada com o retorno que recebe. Porém, tem receio de se ver no meio de um fogo cruzado de paus, pedras e bombas. No ano passado, todos foram surpreendidos com a população indo às ruas; famílias inteiras, de crianças a idosos, pensando e buscando um país melhor. O ato causou impacto e levou os governantes a se mexerem, mesmo não entendendo o que estava acontecendo. Vale lembrar que, das muitas medidas tomadas no afã de arrefecer as manifestações e dar uma resposta do tipo “50 anos em cinco meses”, não foram todas cumpridas, e as pendências estão aí, para servir de combustível para novos protestos. A violência de alguns tirou o brilho das manifestações, e ainda não está claro quem orquestra a anarquia dos atos e com qual objetivo. Dizer que a intenção é apenas semear o caos e desestabilizar governos e sociedade me parece roteiro de história em quadrinhos do Batman. Assim como no ano passado, somos espectadores a esperarem o que vai ocorrer. No entanto, a corda foi esticada. A violência levou a um planejamento das forças de segurança, a repressão será maior. Quem sabe ainda consigamos fazer como os espanhóis. A simples notícia da abdicação do rei Juan Carlos levou milhares de pessoas a tomarem as ruas de Madrid para protestar contra a monarquia. Sem tumulto, sem violência, só ideia e presença. Humberto Santos escreve interinamente a coluna de Murilo Rocha

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