Não parece, mas BH vai sediar um Mundial

iG Minas Gerais | Fernando Almeida |

Ezequias Meireles da Silva é exceção: morador do bairro Tropical, em Contagem, ele não abre mão de enfeitar o muro de sua casa quando a Copa está chegando. Ele contou com a ajuda da esposa e dos dois filhos para pintar a fachada com as cores da seleção brasileira
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Ezequias Meireles da Silva é exceção: morador do bairro Tropical, em Contagem, ele não abre mão de enfeitar o muro de sua casa quando a Copa está chegando. Ele contou com a ajuda da esposa e dos dois filhos para pintar a fachada com as cores da seleção brasileira

A uma semana do Mundial no Brasil, um turista mais desavisado pode achar que Belo Horizonte sequer é uma cidade-sede da Copa. Ontem, percorreu mais de 100 km na região metropolitana, e o verde-amarelo – tão presente nas casas, prédios, ruas e carros nos últimos Mundiais –, neste ano, não passa de pinceladas espaças no meio do cinza predominante da metrópole.O TEMPO

O centro da capital, por exemplo, que é acostumado a se enfeitar com as cores do Brasil a cada quatro anos, não evidencia a empolgação vista quando Ronaldo, Romário, Zico, Pelé e companhia encantavam a todos com a arte brasileira dentro de campo.

O teor político da Copa de 2014, aquecido ainda mais pelas manifestações, mesmo que indiretamente, tomou conta de boa parte da população e do comércio de Belo Horizonte. Em um ano eleitoral, os contornos sociais do que está no entorno da Copa parecem ganhar ainda mais ênfase.

Na avenida Afonso Pena, um dos principais palcos dos protestos na cidade, poucos comerciantes coloriram suas lojas com as cores do Brasil. Ainda assim, eles deixam clara a cautela diante dos levantes que estão previstos para o Mundial. A fuga dos clientes já é sentida por alguns.

“Decoramos nossa loja, mas não compramos muitos produtos para a Copa. Porém, acho que as cornetas, bandeiras e afins não deixam de ser um estímulo para a pessoa entrar na loja e comprar”, afirma Thiago Diniz de Souza, gerente de uma loja de produtos variados na Afonso Pena.

Festa em cores. Depois de muita procura, a reportagem encontrou, na rua 43 do bairro Tropical, em Contagem, a casa de Ezequias Meireles da Silva, um instrutor de autoescola que mora com esposa e dois filhos em um lugar cercado por muros pintados com a bandeira do Brasil, que também foi hasteada na residência. “Todos aqui em casa gostam muito de futebol, e queríamos alegrar a rua com esse espírito de Copa”, conta Silva, que pintou o muro em dois dias com a ajuda dos filhos.

A falta de empolgação foi sentida por Ezequias, que credita esse marasmo pré-Copa à insatisfação política do brasileiro. “Nas outras Copas, aqui na rua ficava tudo pintado”, diz.

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