Assentos nas arenas têm ‘estofados de dinheiro’

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Absurdo. Com pouca utilidade após a Copa, arena de Brasília está no topo do ranking dos estádios mais caros do país
Douglas Magno / O Tempo
Absurdo. Com pouca utilidade após a Copa, arena de Brasília está no topo do ranking dos estádios mais caros do país

Os estádios brasileiros estão entre os mais caros do mundo. Aquilo de que o cidadão já desconfiava foi comprovado em números em um estudo da Pluri Consultoria, que comparou os custos de 66 estádios com capacidade acima de 30 mil lugares, construídos em 26 países nos últimos dez anos. Comparando o valor gasto para cada assento, os estádios construídos entre 2004 e 2006 custaram, em média, US$ 5.196. Já nas arenas entregues no ano passado e neste ano, que são as que serão usadas na Copa, o preço por lugar saltou para US$ 7.420, uma alta de 42,8%.

Mesmo os estádios entregues antes, no biênio 2011/2012, tiveram custo muito maior do que a média para cada lugar. Enquanto, no mundo, o preço médio para um assento foi de US$ 5.841 nos últimos dez anos, os estádios da Copa brasileira custaram US$ 7.988. Se as arenas reformadas entrarem na conta, o valor cai um pouco, para US$ 6.700, mas continua alto.

O estudo da Pluri engloba estádios de todos os tipos – construídos com dinheiro público ou privado, arenas de clubes e outras destinadas às Copas. No Brasil, além dos 12 estádios das cidades-sede do Mundial, entraram no estudo o Allianz Parque (do Palmeiras), a Arena do Grêmio e o Engenhão (construído para o Pan-Americano de 2007).

Mesmo se a comparação for apenas com estádios usados para Copas do Mundo e que têm que seguir o padrão Fifa para as acomodações, os estádios brasileiros levam a pior: em média, o preço gasto por assento aqui foi 32,8% superior ao investido nas arenas onde a bola rolou em 2010, na África do Sul.

Para os economistas, vários fatores explicam o alto gasto nas obras brasileiras, mas o principal deles é a falta de planejamento e gestão. “Mesmo considerando o custo alto de mão de obra e material de construção e a inflação, os gastos aqui ainda são muito exagerados”, diz o professor de finanças da Fumec Alexandre Pires de Andrade.

Ele destaca que muitas obras atrasaram, o que também eleva o custo. “A prioridade passa a ser o prazo de entrega, sem tanta preocupação com o preço”, diz. Professor de economia da Una, Silvério Marinho concorda. “Fazer qualquer coisa no Brasil é mais caro do que em outros países, porque a gestão pública é altamente ineficaz, e isso vem casado com uma alta carga tributária”, avalia.

Ele explica que a ineficácia da máquina pública aparece em todas as etapas, desde o planejamento da obra até a execução e a fiscalização. Com isso, há falhas que acabam encarecendo a obra. “Entendo que existam imprevistos, mas, no Brasil, o imprevisto, a exceção, é regra, e quem paga a conta somos todos nós”, afirma o professor.

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