“Baixa audiência não dará fim às novelas”

Executivo norte-americano especializado em TV está no Brasil para evento

iG Minas Gerais |

Cena de “Em Família”, que sofre com a baixa audiência
Paulo Belote
Cena de “Em Família”, que sofre com a baixa audiência

São Paulo. A queda de audiência contínua das novelas tem sido motivo de dor de cabeça para as emissoras brasileiras. “Mas não vão acabar. Na vida, há algumas certezas como a morte, o pagamento de impostos e as novelas”, afirma Farrell Meisel, que há 20 anos dá expediente como executivo em canais dos EUA, Alemanha, Singapura e até Afeganistão. Ele falou ontem sobre o tema no Fórum Brasil de Televisão, no centro de convenções WTC. 

O norte-americano, que atualmente faz parte da The Global Agency, empresa que exporta formatos para mais de 40 nações, veio ao Brasil para contar a experiência em mercados de TV emergentes, como Israel e Turquia.

Admirador da produção nacional, ele reconhece uma mudança nos hábitos dos telespectadores. Entretanto, não vê o fim da novelas. “Elas fazem parte da cultura desde a época do rádio. O público está envelhecendo, sim, mas é preciso prestar mais atenção na fragmentação dos canais. As novelas brasileiras são fortes como a seleção de futebol de vocês. Há muita gente criativa trabalhando nesse mercado. Talvez, passem a produzir menos”, aponta.

Para Meisel, 58, as tramas andam mais bem cotadas no exterior. “Vocês têm uma indústria dinâmica, que todos nós (estrangeiros) respeitamos. Têm reputação, já ganharam o Emmy. Eu já estive no Projac. Vocês competem com os melhores do mundo. O desafio agora é cumprir a cota de programação nacional e fidelizar os telespectadores”, disse, por telefone.

O xodó do norte-americano são as produções turcas, que, segundo ele, vêm ganhando espaço no mundo. Por serem feitas em uma nação de maioria muçulmana, são bem recebidas em outros territórios com a mesma religião. “As novelas e séries deles competem hoje com as latinas. Estão para aquele país assim como o chocolate para a Suíça. Estamos tentando vender uma para o Chile, agora”, conta ele, que negocia dramas da Turquia em sua agência.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave