DJ carioca faz parceria com filha de Tom Jobim

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

DJ se tornou referência em mashups no Brasil e no mundo
cristiane g./divulgação
DJ se tornou referência em mashups no Brasil e no mundo

O DJ João Brasil diz não ter preferência musical. Ouve de tudo: jazz, rock n’ roll, tecnobrega, axé, funk, pagode, sertanejo e, claro, muita música eletrônica. “É difícil resumir uma preferência sendo que meu trabalho é juntar músicas completamente diferentes”, avalia. Talvez por isso seus projetos sejam tão distintos. Com dois discos lançados na carreira, “8 Hits” (2008) e “The Black Album Brasil” (2010), o terceiro, feito com a recém-formada banda Rio Shock, está em processo de finalização e terá participação do produtor Kassin e da filha caçula de Tom Jobim, Maria Luiza Jobim.

Influenciado pelo funk, João Brasil formou a Rio Shock neste ano com os parceiros Júnior Teixeira, intérprete do Monobloco, DJ Filipe Raposo, MC Sábara e MC Dannie Mendes, além do dançarino Safadin. “Eu queria fazer uma banda de funk, aí o Filipe Raposo entrou com uma influência forte de house, e mesclamos o som: um funk-house, que é meio anos 90, uma tendência que começou a assolar a Europa, principalmente a Inglaterra, e tem tudo para voltar no Brasil agora”, diz.

Adepto de um equipamento simples para discotecar, João Brasil tocava apenas com um notebook e um controlador musical similar a um MPC usado pelos grupos de hip hop. Porém, nas gravações com o Rio Shock, ele poderá incorporar outros elementos da música brasileira a sua performance. “Eu estou pensando em trazer uns agogôs e uns apitos para reforçar o som de batucada do Brasil, que tem marcado minhas baladas”.

O primeiro disco do Rio Shock tem quatro faixas prontas, entre elas “Sensualizar”, “Surreal”, “Quebrete” e “Moleque Transante”, que bateu os 300 mil acessos no YouTube ao ter clipe lançado em dezembro do ano passado. Apesar de ser um disco com influências de funk e house, o trabalho vai homenagear o mestre Tom Jobim, com a participação da filha dele, Maria Luiza Jobim, revelação da música eletrônica que tocou no festival Eletronika, no ano passado, em Belo Horizonte.

Após a confirmação de Maria Luiza no disco, João Brasil – que até então dizia “não ter ídolos” – diz que quer fazer uma homenagem a Tom Jobim pelos 20 anos da morte do compositor completados neste ano. “Pensando nas minhas influências, o Tom é a maior. Muita gente não acredita porque faço música eletrônica. Mas ele foi o cara que mais me tocou na música. Por isso, penso em inserir trechos de canções deles em mashups ou mesmo falas dele como complemento do disco”, diz.

Além do Rio Shock, João também tem participação no récem-lançado disco duplo do DJ Fatboy Slim, “Bem Brasil” – ainda não disponível nas lojas brasileiras. O disco, que foi gravado para ser uma trilha informal para a Copa do Mundo, é uma coletânea com vários hits da música brasileira e do dance music, além de faixas inéditas compostas por Slim para homenagear o Brasil. No repertório, músicas como “Samba do Mundo”, de Gregor Salto e Saxsymbol & Todorov, além de um remix da canção “Sensualizar”, de João Brasil, que ainda assina uma parceria com o DJ Carl Cox no álbum. “O Fatboy me procurou porque conhecia meu trabalho e, além de sugerir o nome do disco, acabei tendo essas participações. Tenho certeza que as músicas vão bombar”, avalia.

Pai da pequena Maria Brasil, 1 ano e dois meses, mesmo com a internacionalização que criou na carreira João Brasil não pensa em sair do Rio para morar fora do país de novo. “Hoje a música passa por uma revolução tecnológica que tenho vivido e quero fazer acontecer no Brasil para mostrar à minha filha”, diz.

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