‘Brasilidade” pelo mundo

O DJ João Brasil faz John Lennon cantar funk e leva o groove brasileiro para festivais de música eletrônica mundo afora

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

CarolinaG
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[NORMAL_A]Ele é responsável pela trilha sonora da queima de fogos de Copacabana, foi chamado de mago da música por Fatboy Slim e teve uma melodia plagiada pela estrela pop Madonna. Nas pistas brasileiras e europeias, o cara faz John Lennon cantar ao ritmo de funk e Dorival Caymmi ao som da batida do rapper Jay-Z. Considerado o rei dos mashups – técnica para criar novas canções a partir do mix de duas ou mais músicas pré-existentes –, o DJ João Brasil tem sido o maior responsável por exportar os batuques brasileiros para as principais baladas da Europa.

Antes de se tornar famoso na cena da música eletrônica, João Brasil desmistificou a ideia do DJ como um mero “apertador de play”. Formado pelo Berklee College of Music, nos Estados Unidos, ele fez mestrado em design para mídia interativa na Middlesex University, na Inglaterra, especializando-se em produção musical. “Estudei arranjo, composição, música clássica, jazz, rock e produção musical a fundo. Isso deu base para abrir minha cabeça”, diz.

Hoje considerado o melhor DJ pop do Rio de Janeiro pelo Prêmio Noite Rio, João Brasil viu o sucesso aparecer na Cidade Maravilhosa depois que resolveu mesclar Beatles e Luiz Caldas numa mesma canção para animar a extinta festa “Calvânia”, em 2004. “Rolava muita música indie nas festas e às vezes era tedioso. Quando toquei Beatles e Caldas, vi as pessoas se mexendo na pista de forma descontrolada. Muita gente amou e muita gente odiou também, mas todo mundo continuou a dançar. O desconforto de estilos totalmente diversos na pista causava uma anarquia musical na galera. A festa fez tanto sucesso que não parei mais de seguir esse estilo”, conta.

Em 2010, ao sentir a frieza e o desânimo do público europeu nas pequenas festas que começou a tocar em Londres, João Brasil resolveu repetir a fórmula tupiniquim e deixou que os riffs de “Iron Man”, do Black Sabath, fossem a base para o vocalista Leandrinho, do Bonde do Tigrão, cantar “é na cabeça, no joelho, na cintura e no bumbum, a thuthuca tá dançando”. “Nem tudo o que eu tocava e queria tocar de música brasileira era bem aceito, os ingleses tinham dificuldade para assimilar nossa brasilidade do jeito que é, então resolvi fazer umas misturas mais densas que deram um ótimo resultado na pista”.

Inspirado pelo calendário musical de Hermeto Pascoal, foi a partir da desconfiança das pistas europeias que João Brasil criou o blog 365 Mashups, onde postava diariamente um novo mix de músicas na internet – a exemplo do multi-instrumentista alagoano, que se propôs a fazer uma música por dia no livro “Calendário do Sorrir”, em 2000.

O que era para ser um projeto de mashups simples acabou se tornando uma miscelânia de artistas nunca vista pela cena eletrônica, e isso fez o nome de João Brasil rodar pelos principais corredores da música eletrônica no Brasil e exterior, mostrando combinações como Tom Jobim e McMarcely, Iron Maiden e Bestie Boys, Ivete Sangalo e Jackson 5, Jorge Ben Jor e Mano Brow, Radiohead e Zé Ramalho, Pink Floyd e Bonde do Tigrão, só para começar. “Todo mundo queria saber quem era o brasileiro louco que estava fazendo um mashups por dia com combinações bizarras”, lembra.

Com a explosão do sucesso, ele atraiu a atenção de Fatboy Slim, que discotecou suas músicas várias vezes e o citou como o “melhor DJ de mashups do Brasil”. Até a cantora Madonna caiu no frisson do carioca, ao ser acusada de plagiar o DJ com a música “Give Me All Your Luvin”, que tem um trecho muito parecido com “L.O.V.E Banana”, de João Brasil, ambos sucessos de 2011. “Sei que um produtor da Madonna ouviu a música na época, mas não posso afirmar que houve plágio. Pra mim é uma honra se isso tiver acontecido”, brinca.

Aos 28 anos, atualmente João Brasil roda a Europa e os Estados Unidos tocando nos maiores festivais do mundo como o SXWS, no Texas, Back To Black, na Inglaterra, Amsterdam Dance Event, na Holanda, além de diversas festas em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Aprendi que música do Brasil balança qualquer pessoa e cultura que nem saiba dançar. E é isso o que quero fazer”, afirma.

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