Dilma defende Copa e diz ter torcido para País até presa

Em entrevista ao jornal The New York Times, presidente disse que até no período militar torceu com interesse pela seleção

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Brasil não deve ouvir
Roberto Stuckert Filho/PR
Brasil não deve ouvir "certas considerações" sobre Copa, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff defendeu, em uma entrevista ao jornal The New York Times , a Copa do Mundo no Brasil e afirmou ao diário norte-americano que, mesmo na época do regime militar, em que esteve em uma prisão em São Paulo, seguiu com interesse e torceu para a seleção brasileira durante a Copa de 1970.

O Times dá destaque, logo no início da entrevista publicada na edição desta quarta-feira do jornal, ao fato de que Dilma raramente faz declarações públicas a respeito de sua prisão. Sobre esta época e a Copa do Mundo, então realizada no México, Dilma afirmou que naquela momento, muitos brasileiros que se opunham ao regime militar questionavam se apoiar a seleção brasileira não seria uma forma de fortalecer os militares. "Eu não tive esse dilema", disse Dilma ao diário norte-americano, destacando que a resistência em torcer para Brasil se dissipou e ela e seus companheiros de prisão acompanharam o torneio.

Dilma falou em Brasília por cerca de uma hora com o correspondente do jornal norte-americano no Brasil, Simon Romero Ela declarou que apenas uma "pequena minoria" é contra a Copa no País e defendeu empréstimos de bancos públicos para financiar os estádios da competição.

Além da Copa, Dilma ressaltou ao Times a redução nos últimos anos da desigualdade social no Brasil e elogiou o trabalho do economista do momento, o francês Thomas Piketty, que no livro "Capital" discute o aumento da desigualdade. "Acho que ele (Piketty) fez um trabalho fantástico", afirmou. A presidente disse que no Brasil ocorreu melhora da distribuição de renda, enquanto nos Estados Unidos e em partes da Europa e situação se deteriorou. A presidente comparou o avanço social recente no Brasil ao da Espanha após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.

Dilma destacou ao Times também que com a melhora da distribuição de renda no Brasil surgiram outras demandas e desafios das pessoas. Ela citou, por exemplo, o crescimento das viagens aéreas enquanto os aeroportos precisam de novos investimentos. Por isso, ela diz entender a insatisfação dos brasileiros ao protestar contra serviços de má qualidade, uma das preocupações dos organizadores do Mundial. "Os serviços cresceram menos que a renda", disse ela.

Ainda sobre a Copa, Dilma reforçou que o evento oferece uma oportunidade de o Brasil reforçar sua posição em escala global. A presidente também disse que planeja se encontrar com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, que vai ao País este mês assistir a uma partida da seleção norte-americana na Copa.

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