Picos de energia fazem empresas do Piauí migrarem para o Maranhão

O abastecimento de energia no Estado é feito pela Eletrobrás Piauí, uma das seis distribuidoras federalizadas do grupo Eletrobrás, que enfrenta problemas crônicos de caixa

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Abastecidos por uma das piores distribuidoras de energia do país de acordo com o ranking de qualidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), empresários do Piauí relatam uma situação de caos na distribuição de eletricidade no Estado e já começam a transferir investimentos para o Maranhão.

Sócio-proprietário da Ferronorte, indústria de beneficiamento de ferro e aço com sede em Teresina (PI), João Alves do Nascimento planeja levar um projeto de ampliação de R$ 200 milhões para a vizinha Timon, no Maranhão, separada da capital piauiense pelo Rio Parnaíba.

"As indústrias já instaladas no Piauí não têm condição de crescer. As que estão vindo não estão sendo montadas, porque não têm como se instalar", disse o empresário ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "Temos investimento previsto para aumentar a capacidade de produção da Ferronorte, mas ele não será feito mais no Piauí. Temos várias máquinas paradas e vamos ser obrigados a nos instalar em Timon."

As inúmeras queixas do setor produtivo do Estado, um dos mais pobres da Federação, incluem as constantes quedas de energia em suas unidades, a demora para o restabelecimento da força e oscilações da rede.

O abastecimento de energia no Estado é feito pela Eletrobrás Piauí, uma das seis distribuidoras federalizadas do grupo Eletrobrás, que enfrenta problemas crônicos de caixa.

Estruturação

No ano passado, um termo de ajuste de conduta chegou a ser firmado entre a empresa e o Ministério Público, estabelecendo que a distribuidora deveria elaborar um plano de estruturação para "pôr fim às interrupções na prestação do serviço de fornecimento de energia elétrica, regularizar os níveis de tensão na rede e aumentar o número de transformadores".

A sua eficácia não foi analisada pela Aneel até hoje e tampouco o plano foi implementado, de acordo com a procuradoria. A Eletrobrás Piauí argumenta que está sim levando adiante do plano mesmo sem a manifestação da agência reguladora.

A fragilidade da rede de distribuição no Estado é atestada pelo ranking de continuidade de serviço da Aneel, que coloca a Eletrobrás Piauí na 28ª posição entre 35 distribuidoras. O mesmo levantamento também mostra a razão de novos investimentos estarem migrando para outros Estados. As distribuidoras que atendem ao Ceará e Maranhão foram privatizadas e ocupam o primeiro e o terceiro lugares no ranking da Aneel, respectivamente.

Dificuldades

O governo do Estado reconhece que os problemas com a distribuidora tem gerado "prejuízos incalculáveis" ao setor produtivo. "A energia é um pré-requisito e temos dificuldade de vender o Piauí sem a infraestrutura necessária", argumenta a secretária de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Patrícia Freitas. O governador José Filho (PMDB) tem cobrado a intervenção de Brasília e pedido aportes na Eletrobrás Piauí para viabilizar os investimentos necessários.

Procurada, a Eletrobrás Piauí argumentou que, nos últimos três anos, evoluiu no ranking da Aneel, passando da 32.ª colocação em 2011 para a 28.ª. "Temos, continuamente, treinado e aumentado o número de equipes em campo e feito investimentos em obras estruturantes por todo o Piauí. Só em 2013, foram investidos R$ 207 milhões", afirmou o diretor de Operação, Marcelino Cunha, em nota.