Simetria narrativa por trás das grades

Série da Netflix tem segunda temporada disponibilizada a partir desta sexta

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Fragmentação. O cotidiano das mulheres detentas é apresentado em paralelo com as histórias que as levaram para a prisão
Netflix / divulgação
Fragmentação. O cotidiano das mulheres detentas é apresentado em paralelo com as histórias que as levaram para a prisão

A Netflix não divulga os números de espectadores que assistem às séries produzidas pela empresa. Por isso, fica difícil quantificar a real abrangência de “Orange Is The New Black”, que terá a integra da segunda temporada disponibilizada a partir desta sexta-feira para assinantes do serviço de transmissão de filmes e séries por streaming.

Mesmo assim, não seria ousadia considerar a série como uma das mais elogiadas de 2013. Grande parte disso vem do equilíbrio entre o drama e a comédia das histórias, contadas por meio de personagens bem construídos e interpretados por boas atrizes. Soma a isso, o elemento surpresa: não havia expectativa alguma sobre a produção.

Na trama, vemos Piper Chapman (Taylor Schilling) passar por uma dificuldade atípica para uma mulher branca da classe média nova-iorquina prestes a se casar. Ela é condenada a passar 15 meses na prisão de Litchfield por ter sido cúmplice, há dez anos, de tráfico de drogas. No (sub)mundo prisional, ela se esforça para se adaptar ao novo ambiente procurando entender os códigos internos e a hierarquia existente no local. Mas isso não é o suficiente e ela acaba ultrapassando seus limites morais para manter sua segurança e sanidade.

A história de Piper, por si só, já renderia algum sucesso à série. Mas no decorrer dos 13 capítulos da primeira temporada, narrativas paralelas eclodem a cada capítulo tornando a série não apenas dinâmica, mas também uma teia de boas histórias.

Entre os exemplos, temos a ex-namorada de Piper, Alex Vause (Laura Prepon, que infelizmente só volta nos primeiros quatro capítulos), e a fanática religiosa Tiffany “Pennsatucksy” (Taryn Manning) em uma atuação digna de aplausos e participante do “cliffhanger” (recurso de roteiro para prender o espectador à série) da última cena da temporada.

Mas não só de densidade é construída “Orange Is The New Black”, pelo contrário. A série, criada por Jenji Kohan e baseada nas memórias de Piper Kernan, pega também pela comédia. Em meio aos conturbados relacionamentos, ameaças de morte e intrigas, é recorrente o uso de humor, ora sinistro ora irônico.

Todos os aspectos surpreenderam e fãs apareceram durante o ano passado. Agora é torcer para que, ao contrário da outra produção da mesma emissora, “House Of Cards”, “Orage Is The New Black” consiga superar o maior dos desafios de séries que fazem muito sucesso logo na primeira temporada: manter-se envolvente sem se repetir.

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