Resguardo de nossa matriz

Exposição “Brasil Indígena – Herança e Arte” reúne utensílios e artefatos de 22 diferentes etnias indígenas

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Masculino. Máscara Cara Grande – Ypé, da etnia Tapirapé, do Mato Grosso, é uma das peças em exposição a aprtir de hoje
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Masculino. Máscara Cara Grande – Ypé, da etnia Tapirapé, do Mato Grosso, é uma das peças em exposição a aprtir de hoje

O intelectual Gilberto Freyre, em seus estudos antropológicos, dividia as matrizes formadoras do povo brasileiro em três: portuguesa, negra e indígena. A última delas sofre um processo histórico de redução, correndo risco, inclusive, de extinção de algumas etnias. Com intuito de mostrar a singularidade e beleza da produção artística de 22 etnias, a exposição “Brasil Indígena – Herança e Arte” abre hoje na Sala de Exposições Temporárias do Centro de Arte Popular, da Cemig.

“Os indígenas só aparecem – só são lembrados – em disputa por terra, ou lutando por sua sobrevivência, em situações como essa de Belo Monte. Queremos preservar e valorizar sua memória”, destaca o coordenador geral da exposição, Evandro Kelmer.

No total, são 74 peças do acervo do Centro Cultural de Arte Indígena do Brasil representando 22 etnias, por meio de duas grandes classes de artefatos etnográficos.

Na primeira reúnem-se utensílio ligados à subsistência, conforto doméstico e pessoal, artefatos relacionados a atividades agrícolas, de caça e pesca, guerreira, de artesania e transporte. Entre esses, encontram-se cerâmicas, trançados, cordões, tecidos, bancos, armas e utensílios de madeira.

No segundo grupo estão adornos e objetos de uso pessoal, além dos artefatos utilizados em rituais mágicos e lúdicos. Os adornos plumários, eminentemente masculinos, não servem apenas para enfeitar o corpo, podem ser aplicados a outras superfícies como armas, instrumentos musicais, máscaras, e não se restringem apenas a seu caráter decorativo.

Quando criança, Evandro Kelmer, “sem nenhum sangue indígena correndo nas veias e eminentemente europeu” – em suas próprias palavras –, já observava e se interessava por alguns dos objetos “exóticos” que o pai tinha e mal sabia ele que sua curiosidade se transformaria em seu ofício. Além de presidente do Centro Cultural de Arte Indígena do Brasil, ele é responsável pela Moitará, espaço para exposição e venda de artefatos indígenas.Curiosidade.

“Em 1985, eu fui a uma aldeia no Xingu e, depois disso, passava todas as minhas férias em diversas aldeias pelo país. Comecei uma coleção particular e, em 2001, fundei a Moitará”, revela ele. A galeria é responsável por vender artigos produzidos por 50 diferentes etnias indígenas.

Quase 30 anos depois de sua primeira imersão na cultura indígena, Kelmer acredita que a consciência e a preservação dos povos indígenas tenha crescido. Embora pareça contraditório a venda dos produtos provindos das aldeias, ele acredita que o comércio ajuda a preservar as peculiaridades de cada uma delas. “Eles passam a entender que aquele produto é único, por suas particularidades, pela tinta que é vinda da natureza. E embora não sejam consumistas como nós, esse dinheiro complementa a renda das aldeias, seja para trocar um motor de barco ou comprar ferramentas novas”, ressalta o coordenador.

Ainda assim, o progresso vai se aproximando, mesmo das aldeias em regiões mais remotas e isoladas, afirma Kelmer. “É inevitável. O importante é eles não perderem a identidade. Eles podem entrar na internet, assistir televisão, mas não podem perder aquilo que identificam como uma etnia”, alerta ele.

Outro ponto lembrado por Kelmer é a diversidade de povos indígenas ainda presente no Brasil. “Foram catalogadas 241 etnias e 180 línguas distintas”, ressalta. No entanto, ele arrisca levantar pontos em comuns dos indígenas de todo o continente americano. “Os rituais são diferentes, mas eles se centram em quatro momentos principais: o nascimento, ritos de passagem, a comida e a morte”, finaliza ele.

Agenda O quê. “Brasil Indígena - Herança e Arte”

Quando. De hoje até 05 de outubro. Terças, quartas e sextas – 10h às 19h; Quintas-feiras – 12h às 21h; Sábados e Domingos: 12h às 19h

Onde. Cento de Arte Popular da Cemig (rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários)

Quanto. Gratuito

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