Paco, Pacolino, Pacolindo!

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Hoje (o dia em que escrevo estas palavras) faz dois anos que vi pela primeira vez seus olhinhos – ou melhor o brilho dos seus olhinhos – através da grade da caixa que o homem da companhia aérea carregava por aquele imenso galpão. A ansiedade era imensa. Foram 40 dias, desde que o vi, por meio de uma foto, até sua chegada. Não sabia bem o que me esperava, não tinha ideia da importância que você teria na minha vida, mas ainda assim certa emoção tomou conta de mim. Fiquei apreensiva quando abri o portãozinho da caixa e chamei por seu nome (o nome escolhido há anos) e você continuou imóvel. Me agachei e te puxei – como se faz com os bebês que teimam em não sair da barriga de suas mães –, e você ficou ali estatelado no chão. Te peguei no colo, e esse gesto nos conectou, de alguma maneira, para sempre. Vim no carro te enchendo de carinho, e você, embora tremesse e babasse, de medo, recebia de bom grado. Já em casa, você fez o que faz hoje todas as vezes em que vamos à praça: cheirou cada canto. A primeira visita não poderia ser de outras pessoas: os dindos Lili e Élcio, que trouxeram logo uma guia porque intuíram que você iria adorar passear. Dinda fez a primeira foto, e Dindo foi logo te introduzindo na maneira peculiar que ele tem de fazer carinho, um tanto bruta, mas repleta de amor. Você se sentiu em casa! Tão em casa que não chorou um segundo sequer, como costumam fazer os bebezinhos com as mudanças de rumo que a vida impõe. Desprezou a almofadinha que tinha comprado pra você dormir e preferiu fazê-lo no chão mesmo, ao lado da minha cama. E dormiu como um anjo. A primeira vez rm que te levei na praça perto de casa, paguei mico. Primeiro, você escolheu uma pedra embaixo de uma árvore e ali se deitou. Foi difícil tirá-lo daquela sombrinha tão confortável. Mas o pior foi quando você empacou. Tive que arrastá-lo de uma ponta a outra de uma das calçadas da praça até chegar à avenida e te pegar no colo pra te levar de volta pra casa. E você, embora bebê, já pesava muito! Quem te viu e quem te vê. Hoje, é eu pegar a bolsa e guia pra você sacar rápido que vamos à praça. E como é tranquilo passear com você. Nem faz falta a coleira! Você é um garoto obediente. Ficou claro, logo de início, que você me adotou antes que eu a você. Pra mim, era tudo novo, e eu estranhei ter aquele compromisso. Você, mais sábio, percebeu rápido a riqueza daquela relação que se formava e não titubeou em se entregar de corpo e alma. E a sua entrega acelerou o processo em mim, e, em pouco tempo, eu já estava apaixonada. Hoje, ganhei qualidade de vida com sua presença. Você me faz querer voltar pra casa, e, alguns minutos depois de chegar, já estou eu gargalhando com nossas brincadeiras loucas, de correr pra lá e pra cá. Agora, eu acordo todas as manhãs rindo – justo eu que era famosa pelo mau humor matinal –, por causa da sua postura, todo sério, sentadinho na cama, como se me dissesse: “Não quero atrapalhar seu sono, mas a hora que você quiser me fazer carinho, estamos aí!”. Como não amá-lo? Graças a você encontrei pessoas incríveis, amigos de verdade e sobrinhos peludos, cada qual com seu encanto. Com você, faço passeios que não faria, conheço lugares que não conheceria. Com você, minha vida é mais feliz, como na canção. Paco, Pacolino, Pacolindo, você nunca vai ler estas palavras. Mas nem precisa. E é essa a belezura da nossa relação!

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