Pensar sobre viagens é mais satisfatório que tirar as férias

Especialista indica adiar qualquer tipo de prazer conscientemente

iG Minas Gerais | Stephanie Rosenbloom |

Frustração.Professora de psicologia Elizabeth Dunn amou os planos que fez para Oahu, no Havaí, mas, lá, foi atacada por um tubarão
Reproducao / Aston Hotels e Resorts
Frustração.Professora de psicologia Elizabeth Dunn amou os planos que fez para Oahu, no Havaí, mas, lá, foi atacada por um tubarão

Nova York, EUA. Queria estar de férias agora? Não queira. Tirar férias não vai fazê-lo necessariamente mais feliz; a expectativa, sim. A primeira vez que explorei essa ideia foi durante a pesquisa para um artigo sobre felicidade, em 2010, mesmo ano em que foi publicado um estudo psicológico sobre a relação entre expectativa e felicidade no jornal online “Applied Research in Quality of Life”. Os autores, holandeses, entrevistaram mais de 1.500 pessoas, incluindo 974 que estavam de férias, e descobriram que essas se sentiam mais felizes antes da viagem.  

Como toda pessoa que já saiu de férias sabe, podem surgir todos os tipos de complicações: atraso de voo, doença, briga em família. Sem contar que, na volta, há um acúmulo enorme de trabalho, tanto em casa como no escritório. Não estou sugerindo que elas não nos façam feliz, mas os cientistas sociais dizem há anos que a felicidade é ainda maior se a pessoa adiar, conscientemente, qualquer tipo de prazer, seja fazendo a reserva naquele voo para Bali com meses de antecedência ou deixando para comer a tal fatia de bolo de chocolate amanhã. Isso nos permite criar expectativas positivas e saborear a experiência agradável que temos pela frente.

Mas o que eu realmente queria saber era se o prazer resultante da expectativa é algo que acontece assim, como um passe de mágica, depois que você faz a reserva de viagem, por exemplo, ou se pode ser reforçada com conversas com os amigos e/ou preparativos como a seleção de uma playlist no iTunes ou o aprendizado do idioma local.

E descobri que há toda uma arte na expectativa. Segundo Elizabeth Dunn, professora de psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica e líder na pesquisa sobre felicidade, saborear a espera é um processo ativo, e não passivo. “O ideal é mergulhar de cabeça”, diz ela. Ler romances e poesia, ver filmes e programas de TV, xeretar blogs que são sobre o lugar que planeja visitar encoraja a pessoa não só a aprender mais sobre o destino, mas a sonhar, fornecendo detalhes concretos aos quais a mente pode se apegar.

Mente. Pode parecer contra-intuitivo, mas essa criação de expectativas positivas e empolgação na verdade ajuda a nossa mente a lidar com pequenas discrepâncias caso a realidade não esteja à altura da fantasia. “A tendência é ficarmos menos incomodados com esses pequeninos furos se criarmos expectativas com antecedência. O negócio então é apostar que vai ser maravilhoso”, afirma Elizabeth.

Esse conselho pode ser problemático somente se houver um abismo entre a expectativa e a realidade ou não. Veja a viagem que Elizabeth Dunn fez para Oahu, no Havaí, por exemplo.

Ela passou um tempão contando que seria uma aventura maravilhosa, o que acabou sendo bom porque quando finalmente pôs os pés na ilha, foi atacada por um tubarão de 3 m. Ele a mordeu na perna, deixando cicatrizes irreversíveis, embora nenhum problema mais grave. Foram as piores férias de sua vida. “Pelo menos enquanto eu estava fazendo planos foi ótimo”. A lição que se tira daqui é: mesmo que suas férias sejam péssimas, nada pode acabar com o prazer que você sentiu ao fazer planos para ela.

Outra vantagem em mergulhar nos livros e fotos do destino antecipadamente é que a pesquisa representa uma novidade que quebra a rotina do dia a dia. Não só criamos expectativas em relação à viagem como aprendemos coisas novas. Nós, humanos, nos adaptamos rapidamente às circunstâncias, o que significa que também nos entediamos com a mesma facilidade.

Movimento

Dinheiro. O turismo movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano nos países das Américas e gera um fluxo de 160 milhões de visitantes estrangeiros, segundo estimativas.

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