Farc e governo da Colômbia retomam processo de paz

"O processo não busca destruir a livre iniciativa e a propriedade privada, muito menos temos acordado a desmilitarização" disse delegado do presidente Manuel Santos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Integrantes das Farc, força armada acusada de matar militares
Ap.13.06.2013
Integrantes das Farc, força armada acusada de matar militares

O principal negociador governamental com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediu nesta terça-feira (3) a seus compatriotas que apoiem o processo de paz e não se deixem enganar por campanhas de desinformação sobre o que se dialoga com os rebeldes em Cuba.

"Aconselho a todos os colombianos que não se deixem levar por boatos", afirmou Humberto de la Calle, delegado do presidente Juan Manuel Santos. "O processo não busca destruir a livre iniciativa e a propriedade privada, muito menos temos acordado a desmilitarização."

Os inusuais comentários - pois, durante um ano e meio de negociações, De la Calle fez poucas declarações à imprensa - ocorrem quando a Colômbia vive um intenso clima eleitoral, no qual o conflito com a guerrilha passou a ser o centro da disputa entre os dois candidatos que participam do segundo turno.

"A vocês, soldados e policiais da pátria, quero lhes dizer que nem seu salário, nem seu futuro, nem muito menos sua doutrina serão negociados aqui", disse De la Calle.

Em 15 de junho, os colombianos voltam às urnas para escolher entre Santos, que busca a sua reeleição e apoia o processo de paz de Havana, e o candidato opositor, Oscar Iván Zuluaga, que questionou em reiteradas ocasiões as negociações e acusou os rebeldes de serem delinquentes.

As delegações da presidência da Colômbia e das Farc retomaram hoje os diálogos pela paz no país após uma pausa de duas semanas devido a realização do primeiro turno da eleição presidencial. As partes discutem seis temas - três dos quais já foram acertados. Em maio, os negociadores chegaram a um acordo sobre o combate ao narcotráfico, além de já terem encerrado as discussões sobre o problema da terra e da participação política.

O processo de paz começou no final de 2012 sob a mediação de Noruega, Cuba, Venezuela e Chile. Agora, as delegações concentram-se nas negociações a respeito das vítimas da violência e o ressarcimento delas.

Ao mesmo tempo, os rebeldes preferem não se pronunciar a respeito das eleições e o impacto que o pleito teria no processo de paz. "Não vamos falar sobre cenário hipotéticos, esperaremos a noite do dia 15 de junho, quando teremos os resultados eleitorais", disse o representante das Farc nos diálogos de paz, Iván Márquez. "Toda a Colômbia tem de defender o processo de paz." 

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