Estrutura de internet nas arenas está pronta, diz setor

Apesar da afirmação, Arena da Baixada e Arena Corinthians deverão apresentar maiores dificuldades pelo menor tempo que tiveram para instalação de equipamentos

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Os 12 estádios que a partir da próxima semana receberão jogos da Copa do Mundo concluíram a tempo a instalação da tecnologia de internet para operar a chamada cobertura indoor durante a competição. Segundo balanço da SindiTelebrasil, sindicato das empresas de telefonia, foram instaladas 4.738 antenas para o serviço - sendo 3.724 de telefonia e 1.014 de Wi-Fi. Mas, mesmo com os investimentos, o Itaquerão (São Paulo) e a Arena da Baixada (Curitiba) tiveram apenas 150 dias para instalação dos equipamentos, o que levou as operadoras a priorizar as arquibancadas, área VIP, salas de imprensa e pontos especiais - com isso, áreas de acesso nessas duas sedes, por exemplo, poderão ter problemas de conexão.

"Privilegiamos locais onde os torcedores estariam assistindo o jogo. Nos 12 estádios teremos uma cobertura de altíssimo nível, mas esses dois estádios não terão uma boa cobertura em áreas de acesso", afirmou o presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy.

As empresas afirmam que estão fazendo um esforço "paliativo" para minimizar esses efeitos, reforçando a rede externa própria que elas já operam. "Nesses dois estádios, pela natureza da obra e o tempo que demorou para ficar pronta, não tivemos tempo para dar cobertura em locais de menor importância para o torcedor. Entendemos que aqueles locais eram menos importantes", disse.

Outra dificuldade foi a negociação com os estádios para instalar redes de Wi-Fi operadas pelas teles. Em alguns casos, as empresas que administram a arena não fizeram parceria com as teles para instalar o sistema. As teles optaram, então, por manter sua rede normal já utilizada pelos usuários.

"Por motivos alheios à nossa vontade, não conseguimos implantar a rede Wi-Fi em seis estádios (Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Natal, São Paulo e Recife). A capacidade de dados fica sobre a rede 3G e 4G, que dá vazão, mas tem probabilidade de ter um congestionamento maior do que onde tem Wi-Fi", explicou Levy.

Em cinco arenas do Mundial não houve tempo de fazer todos os testes necessários (Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e São Paulo), apesar de Claro, Oi, Nextel, TIM e Vivo terem investido R$ 226 milhões na infraestrutura, incluindo 164 quilômetros de fibra óptica. A estrutura Wi-Fi recebeu R$ 14 milhões desse total e a infraestrutura de telefonia teve os R$ 212 milhões restantes. "Nós colocamos mais recursos do que na Olimpíada de Londres", comparou Levy.

A infraestrutura disponibilizada deve permitir que em um período de uma hora, em cada estádio, sejam feitas 300 mil ligações simultâneas com duração média de 2,4 minutos. Para navegação, a infraestrutura deve permitir 24 mil conexões simultâneas com capacidade para envio de uma foto de 0,55 megabytes em 2,5 segundos.

As teles garantem que os torcedores poderão fazer ligações, navegar na internet e mandar mensagens multimídias (fotos e vídeos). A expectativa é de mais de 50% do fluxo de dados das redes 3G e 4G serão para fotografias. Apesar dos investimentos e da expectativa, a ampliação pode superar a capacidade de tráfego de dados. "As pessoas vão fotografar muito mais do que falar e fotografia consome muito mais tráfego de dados do que falar", avaliou Levy. "Podemos ter determinados picos de dados que sejam maior do que a capacidade esperada."

As teles afirmam ainda que estão investindo mais R$ 1,3 bilhão nas 12 cidades-sede da Copa para ampliar em 28% a capacidade da rede, com a instalação de 10 mil quilômetros de fibra ópticas. Elas receberam 15 mil novas antenas 3G e 4G, enquanto os clientes das operadoras terão 120 mil pontos de Wi-Fi.