Restaurante funcionava sem licença do Corpo de Bombeiros

Prédios de Belo Horizonte e região metropolitana registram uma média de 5,8 incêndios por dia

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Análises. Peritos passaram a manhã de ontem analisando o restaurante Santa Fé, atingido por um incêndio na noite do último domingo
Uarlen Valério
Análises. Peritos passaram a manhã de ontem analisando o restaurante Santa Fé, atingido por um incêndio na noite do último domingo

Atingido por um incêndio na noite desse domingo, o edifício onde funcionam o hotel e apart hotel Promenade Champagnat e o restaurante Santa Fé, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul da capital, não possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, documento que certifica a existência de ações de proteção contra incêndios. A irregularidade foi constatada durante uma vistoria feita pela corporação no local, na manhã dessa segunda. Segundo o Corpo de Bombeiros, foram registrados 695 incêndios na região metropolitana de Belo Horizonte entre janeiro e abril deste ano, uma média de 5,8 casos por dia.

Embora possua alvará de localização e funcionamento emitido pela Prefeitura de Belo Horizonte, o estabelecimento, aberto há 20 anos, não está regularizado pelos bombeiros e, por isso, foi autuado. Após receber a notificação, o hotel tem um prazo de 60 dias para se regularizar, ficando sujeito a multa caso não providencie a certificação (veja sanções ao lado).

“Foi constatado que o hotel e o restaurante estão dentro de uma mesma edificação e de um mesmo projeto de segurança contra incêndio, aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Eles executaram grande parte do projeto, mas não solicitaram a vistoria final”, explicou o capitão Frederico Pascoal. “Esse documento é uma segurança principalmente para os clientes, para que saibam que estão dentro de uma edificação regularizada.”

O local, porém, não precisará ser interditado, já que não foi constatado nenhum risco iminente. “O sistema preventivo existe, e os extintores e hidrantes estavam em funcionamento e no prazo de validade. Porém, durante a vistoria, nem o alarme nem a iluminação de emergência funcionaram. Mas não podemos afirmar ainda se é um defeito anterior ou se foi uma falha causada por algum dano no sistema”, disse o capitão.

O funcionário público Pedro Paulo Utsh, 77, morava no hotel há nove anos e foi um dos últimos resgatados nesse domingo. “Não ouvi alarme de incêndio, só gritos e vi a fumaça. Estava tudo escuro, e o bombeiro me guiou com a lanterna. Nunca tinha vivido nada parecido.”

O incêndio teve início em uma fritadeira do restaurante e rapidamente se propagou para o exaustor e para a estrutura de madeira que sustenta o telhado da cozinha. O restaurante estava fechado. No momento do acidente, 58 dos 106 apartamentos do hotel estavam ocupados. Foram necessários 34 militares para controlar a situação. 

Causas

Investigação. A perícia da Polícia Civil também esteve no hotel nessa segunda para apurar as causas do acidente. Segundo a assessoria da corporação, o laudo deve ser concluído em até 30 dias.

Outros incêndios Domus XX.Em 17 de maio, o salão de festas Domus XX, em Nova Lima, na região metropolitana, foi destruído por um incêndio. Cerca de 50 funcionários preparavam uma festa de casamento. Ninguém ficou ferido. Segundo a assessoria da prefeitura, o salão tinha alvará. Ele ainda não voltou a funcionar. A Favorita. Houve um incêndio no restaurante em 30 de março. As chamas começaram após uma panela pegar fogo e atingiram a coifa do estabelecimento, o forro e equipamentos. Não houve feridos. A Prefeitura de Belo Horizonte não informou se o local tem alvará. A casa já foi reaberta. Arte do Crepe. A creperia, na avenida Raja Gabaglia, foi atingida por um incêndio em 30 de agosto de 2013. O fogo começou na cozinha do restaurante, que ficou destruída – assim como o escritório. Não houve feridos. A prefeitura da capital também não informou se o local tem alvará. Após o incêndio, o restaurante foi fechado e apenas o delivery funciona.

Estabelecimento segue fechado O restaurante Santa Fé permaneceu fechado ontem. Segundo o gerente, Cláudio Queiroz, o setor mais danificado foi o do bar, de 40 m². “Foi uma fatalidade, infelizmente. Mas a expectativa é que parte do restaurante esteja funcionando na Copa”. Segundo o gerente do hotel, Paulo Sérgio, alguns hóspedes foram transferidos para outra unidade da rede, por medida de segurança. Outros optaram por ficar. Após a vistoria dos bombeiros, os gerentes não retornaram mais as ligações. “Desde o ano passado, a prefeitura, para emitir alvarás de estabelecimentos que recebem público, exige a liberação dos bombeiros. Mas em casos mais antigos isso ainda não era exigido”, disse o capitão Frederico Pascoal.

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