Rei Juan Carlos abdica do trono, e esquerda quer fim da monarquia

Monarca cedeu o título ao príncipe Felipe dizendo que a “nova geração” pede papel de protagonista

iG Minas Gerais |

Madri, Espanha. Após 39 anos no poder, o rei Juan Carlos I da Espanha decidiu nessa segunda abdicar em favor do filho, o príncipe Felipe de Bourbon. Ele afirmou que abre mão do trono espanhol para que uma “nova geração” assuma as reformas necessárias para o país. Em um breve comunicado transmitido pela televisão nessa segunda, o rei disse que tomou em janeiro a decisão de passar o trono a Felipe, príncipe de Astúrias.

Segundo ele, Felipe “encarna a estabilidade” que marca a instituição monárquica. “O príncipe de Astúrias tem a preparação e o sentido de responsabilidade necessários para assumir com plenas garantias a chefia do Estado e abrir uma nova etapa de esperança combinando a experiência adquirida e o impulso de uma nova geração”, afirmou.

Em seu discurso, o rei não deixou de mencionar a crise econômica recente que atinge a Espanha: “A profunda crise econômica que padecemos deixou sérias cicatrizes na área social, mas também nos indica um caminho de futuro carregado de esperança”.

Fim da monarquia. Após o anúncio de abdicação, os partidos Podemos, União de Esquerda e Equo fizeram um apelo conjunto pela realização de um referendo pelo fim da monarquia. As legendas alcançaram, juntas, 20% nas eleições do Parlamento europeu. Por meio das redes sociais, espanhóis convocaram manifestações em todas as cidades do país a favor da República e para que seja convocada uma consulta popular na qual os cidadãos possam decidir se desejam ou não manter o estado monárquico.

No início da noite dessa segunda, milhares de pessoas se reuniram na praça Puerta del Sol, em Madri, a favor de um sistema republicano e para pedir a realização de um referendo sobre a continuidade ou não da monarquia na Espanha. Não houve confronto entre os manifestantes, que agitavam bandeiras republicanas, diziam palavras de ordem como “Vá embora, Felipe”, “Bourbon, sem pensão” e “Espanha amanhã será republicana”.

Lei não prevê sucessão. A Espanha não tem uma lei precisa sobre abdicação e sucessão. O gabinete do presidente de governo Mariano Rajoy convocou uma reunião extraordinária hoje para definir a transição, que provavelmente será feita por meio da aprovação de uma lei orgânica no Parlamento, em que o Partido Popular (PP), de Rajoy, tem maioria absoluta.

Repercussão. O governo da Alemanha destacou o papel desempenhado pelo rei Juan Carlos I na transição da Espanha para a democracia e desejou o melhor para o seu futuro. O presidente francês, François Hollande, também lembrou seu papel como “artífice da transição após a ditadura franquista” e como símbolo da “Espanha democrática”. O rei da Suécia, Carl Gustaf XVI, comentou o papel de Juan Carlos na modernização da Espanha e expressou seu apreço e seu apoio.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que Don Juan Carlos “fez muito durante seu reinado para ajudar a bem-sucedida transição da Espanha à democracia”. Já a rainha Elizabeth II da Inglaterra não comentou o assunto. Ela é prima distante de Juan Carlos I. “É um assunto do rei e do povo espanhol”, disse um porta-voz da família real.

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