Operário trabalha de domingo a domingo na obra de Confins

Trabalhadores se dizem cansados, mas aceitam as horas extras “porque a empresa paga direito”

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Reta final. Funcionários fazem hora extra para conseguir entregar saguão até a próxima sexta-feira
LEO FONTES / O TEMPO
Reta final. Funcionários fazem hora extra para conseguir entregar saguão até a próxima sexta-feira

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) afirma que o aeroporto de Confins já está pronto para receber os turistas para a Copa do Mundo. Mas quem passa por lá ainda vê tapumes, andaimes e muitos retoques a serem feitos, como pintura, instalação do piso e placas. E, para entregar tudo até sexta-feira, os funcionários do consórcio Marquise/Normatel estão trabalhando de domingo a domingo. De acordo com os trabalhadores, o ritmo está intensificado há cerca de dois meses.

Nessa segunda, quando o baiano João Carlos Santos Pereira, 21, chegou para trabalhar às 6h, pensando que sairia às 19h, foi comunicado que o horário havia sido ampliado para as 21h. “Eu estou trabalhando de domingo a domingo, sem folga, há mais ou menos um mês. A gente fica cansado, mas a empresa paga as horas extras direitinho”, diz.

Lourival da Silva Araújo, 24, também está há dois meses trabalhando sem folga. Ele não se incomoda e diz que recebe em dia. A única reclamação é a falta de tempo. “Eu trabalho porque quero, o ruim é que não dá tempo para lavar a roupa”, reclama. O salário base é de R$ 1.236, segundo os funcionários. Mas, com as horas extras, chega a R$ 2.000.

O consócio Marquise/Normatel, responsável pela reforma do Terminal 1 de Confins, afirma que a obra está funcionando em escala ampliada nos últimos dias. “A empresa vem cumprindo a legislação em relação aos funcionários, inclusive o pagamento de hora extra quando necessário”, diz nota enviada à reportagem. Pela Consolidação das Leis do Tabalho (CLT), o máximo de horas extras que um trabalhador pode fazer por dia são duas. E ele só pode retornar ao trabalho, no mínimo, dez horas após ter saído.

O coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Análogo ao de Escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais (SRTE-MG), Marcelo Campos, afirma que pagar horas extras não anula o fato de submeter o trabalhador a uma jornada exaustiva, o que configura condição de trabalho análogo à escravidão. Há casos emergenciais em que a empresa pode solicitar a extensão da jornada. Entretanto, Campos explica que isso só se aplica em caso de catástrofes.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave