“Estamos muito longe de uma conclusão”

Cristovam Buarque Senador (PDT-DF) mediador do debate de hoje no senado

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Na tribuna do Senado, o senhor manifestou intenção de consultar a Igreja sobre a questão da maconha. Com que intuito?

Quero consultar as pessoas que consideram que não é moral permitir, quero ouvir o que essas pessoas têm a dizer.

Mas, se o Brasil é um Estado laico, por que essa consulta?

Ser um Estado laico quer dizer que ele não se subordina, mas ouve. Eu não vou me subordinar se chegar à conclusão de que o que eles propõem não é pertinente. Um bom exemplo no Brasil é o divórcio. Há uns anos, falar em divórcio era pior que falar em maconha. As igrejas faziam campanhas radicais contra. Mas isso não impediu o país de avançar nesse sentido.

Quais foram os avanços promovidos pelo debate de hoje?

Saber como o Uruguai está fazendo, que amarras o Brasil tem no exterior por causa de acordos internacionais (que dificultariam a regulamentação da maconha) e saber o que está acontecendo nos outros países. Foi muito que avançou.

Chegou-se a alguma conclusão?

Ainda vamos ter mais seis audiências desse tipo, estamos muito longe de uma conclusão.

 

Qual a sua opinião sobre a morte do bebê Gustavo Guedes anteontem? A criança morreu por falta de regulamentação do uso medicinal da maconha. Se a família pudesse comprar esse medicamento no Brasil, se fosse simples chegar a uma farmácia (e comprá-lo), em vez de precisar de “mil” licenças de diversos órgãos, talvez essa criança estivesse viva.

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