Morre bebê que precisava de remédio a base de maconha

Criança chegou a tomar a droga, mas com a demora para a compra, não deu tempo de dar efeito

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Quadro do bebê que morreu era semelhante ao da menina Anny, 6
REPRODUÇÃO G1
Quadro do bebê que morreu era semelhante ao da menina Anny, 6

Brasília. Morreu na madrugada do domingo passado Gustavo Guedes, 1 ano e 4 meses, que tinha uma forma grave de epilepsia e que tinha recebido autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) havia poucos dias para importar uma pasta natural de canabidiol (CBD), um composto não psicoativo presente da maconha. Segundo Katiele Fischer, amiga de Camila Guedes, mãe do bebê, a criança tinha a síndrome de Dravet e entrou em um quadro grave na última quinta-feira.  

Na última semana, a diretoria da Anvisa discutiu a alteração na classificação do CBD, com a expectativa de que a mudança facilitasse a importação da droga. O CBD tem sido usado por pacientes com síndromes epiléticas graves e outros quadros, como doença de Parkinson, como uma alternativa a tratamentos tradicionais que não apresentam os efeitos desejados e como forma de atenuar quadros muito graves.

A mãe da criança chegou a ir à Anvisa para acompanhar a discussão, na quinta, mas deixou a agência na hora do almoço, porque o filho passava mal, conta a amiga. De acordo com Fischer, Guedes tinha conseguido autorização da Anvisa para importar o CBD dos Estados Unidos, e a criança havia começado a tomar o produto havia poucos dias.

“A Camila foi a primeira pessoa que conseguiu (a autorização de importação da Anvisa) pela via administrativa, sem ordem judicial. Ela comprou e (o pacote) ficou 40 dias parado, em trâmite. Um misto de Receita Federal, com impostos, a própria Anvisa, alfândega. Cada um teve sua contribuição para a demora de 40 dias para ter acesso. Ele já estava tomando, mas há poucos dias, não tinha dado o prazo para ter efeito”, diz Fischer.

A amiga, no entanto, é cautelosa ao fazer a aproximação da demora à morte da criança. “Nunca vamos ter a resposta, a síndrome é muito difícil. A pergunta sobre se teria como (o CBD) resolver... seria um achismo”, diz.

Para o senador Cristovam Buarque, que coordenou ontem uma discussão sobre a legalização da maconha do Senado, “é preciso separar a regulamentação do uso da maconha para fins medicinais e para fins de diversão. São duas coisas diferentes. A criança que morreu é o resultado da falta de regulamentação no uso medicinal. Se a família pudesse comprar o medicamento no Brasil, em vez de precisar importar, se fosse fácil chegar em uma farmácia (e comprá-lo), em vez de precisar de ‘mil’ licenças de diversos órgãos, talvez essa criança estivesse viva”.

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