Tenente da Aeronáutica está sumida há um mês, e polícia não tem pistas

Mirian Tavares foi vista pela última vez em uma agência bancária de Belo Horizonte; Polícia Civil não descarta hipótese de suicídio, mas família acredita que militar esteja viva

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO / FERNANDA VIEGAS |

Na última semana antes do sumiço, tenente trabalhou normalmente
Reprodução Facebook
Na última semana antes do sumiço, tenente trabalhou normalmente

Uma família desesperada e sem informações do paradeiro de uma mulher de 42 anos que está desaparecida. Essa é a situação dos familiares da tenente da Aeronáutica Mirian Tavares, que sumiu no mês passado no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte. Nesta terça-feira (3), o desaparecimento completa 30 dias, e a Polícia Civil ainda não conseguiu qualquer pista dela.

De acordo com o delegado da Delegacia de Referência da Pessoa Desaparecida, Thiago Saraiva, não há nenhuma novidade no caso, e as investigações prosseguem. As buscas pela tenente foram estendidas para outros Estados, como Espírito Santo e Rio de Janeiro. “Foram analisadas imagens da BR-381 - caminho que ela usava para visitar a família que mora em Varginha, no Sul de Minas -, da Serra do Cipó, de Macacos e da Serra da Moeda, em Brumadinho, cidades dos arredores de Belo Horizonte que ela costumava frequentar, mas não a encontramos. Até o momento, não temos mais onde procurar”, explicou o delegado.

Ainda segundo Saraiva, a hipótese de suicídio não foi totalmente descartada e ainda continua sendo a principal linha de investigação da polícia por causa da carta deixada e pelo contato que a corporação fez com o psicólogo de Mirian. “Ele (o médico) também acredita que ela se suicidou, porque abandonou o tratamento e não estava tomando os medicamentos. Não sei se consumou ou não (o suicídio). Ainda não descartamos nada. Mas, a princípio, não há indícios de outros crimes. Dias antes do seu desaparecimento, ela não tinha muito contato com as pessoas, não falava da vida pessoal, o que dificulta os trabalhos”, disse o delegado.

Apesar de polícia acreditar que possa ter acontecido o suicídio, para a família, Mirian está viva. Nesses 30 dias, familiares e amigos da militar se mobilizaram para tentar encontrá-la ou achar alguma pista que possa levar ao seu paradeiro. “Eu acredito que a minha irmã esteja viva. Se fosse suicídio, o corpo ou o carro já teriam aparecido. São 30 dias sem pistas e, pra mim, ela teve uma crise de depressão, surtou e sumiu sem rumo”, disse Rique Tavares.

Ele e os outros dois irmãos da mulher, além de ajudarem a polícia com informações, fazem buscas paralelas e contam com o auxílio das redes sociais para mobilizar conhecidos. No Facebook, uma página foi criada para concentrar informações que possam ajudar nas buscas. “Além da divulgação na internet, tentamos achar alguma pista que possa nos levar a ela. Todos os dias entro no site do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) e vejo se há alguma multa registrada do carro dela (Palio cinza escuro com placa de Varginha – HNY 3582). Talvez assim possamos descobrir o caminho que ela tenha feito”, disse o jornalista.

A informação do desaparecimento da militar já foi compartilhada mais de 9.000 vezes na rede social.

Nesta quarta-feira (4), Rique e outros familiares se encontrarão com o delegado em Belo Horizonte. O objetivo da reunião é revisar todo o caso para ver se alguma informação passou batida e traçar novas estratégias. “Se a minha irmã puder ler as matérias que estão saindo sobre o seu desaparecimento, queremos que ela saiba que a amamos muito. Esteja ela onde estiver, vamos resgatá-la”, desabafou o irmão.

Denúncias

Durante o tempo de sumiço, o delegado recebeu duas denúncias sobre o paradeiro de Mirian, mas elas não foram confirmadas. A primeira cidade apontada como o destino da militar foi Jaboticatubas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Já a segunda foi Brumadinho. O aparelho celular da mulher, que foi deixado no apartamento em que ela vivia com uma amiga, tinha o registro para o município. “Antes de viajar, a Mirian sempre olhava informações do destino. No caso de Brumadinho, ela olhou uma semana antes de desaparecer, mas não viajou porque estava trabalhando”, contou Rique.

Em maio, a Polícia Civil divulgou a última imagem feita da tenente. Ela estava saindo de um banco após depositar R$ 30 mil na conta da irmã. Desde então, as últimas ligações de Mirian estão sendo investigadas, e sua conta bancária, monitorada.

Relembre o caso

No dia 3 de maio, Mirian saiu do apartamento deixando para trás roupas, objetos pessoais e celular. A mulher pegou apenas a carteira militar e a carteira de motorista. Ela deixou uma carta no imóvel em que, segundo a irmã Beatriz Rodrigues Tavares, escreveu que estava muito triste, mas não sabia o motivo. “Pensamos que ela pegaria a estrada para espairecer, como estava acostumada a fazer algumas vezes, e voltaria para casa, mas isso não aconteceu”, explicou Beatriz na época.

Além disso, conforme familiares, nos últimos meses, a tenente apresentava um comportamento diferente. Na Páscoa, última vez que a militar esteve em Varginha para visitar os familiares, Beatriz notou que a irmã estava muito calada. Ela foi questionada se teria acontecido alguma coisa, mas disse que estava tudo bem. Mirian é uma pessoa muito reservada, e a família não tinha conhecimento de nenhum envolvimento amoroso da tenente.

Qualquer informação sobre o paradeiro da tenente pode ser comunicada à polícia por meio do 181. Não há necessidade de se identificar.