Uma nova luz sobre o cavaco

Instrumentista Warley Henrique lança nesta terça seu segundo trabalho, “Pra quem Não me Conhece”, no Teatro Bradesco

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Virtuosismo. Destaque no cenário instrumental, o músico Warley Henrique é autodidata e ganhou o primeiro cavaquinho aos 16 anos
warley henrique / acervo pessoal
Virtuosismo. Destaque no cenário instrumental, o músico Warley Henrique é autodidata e ganhou o primeiro cavaquinho aos 16 anos

Conhecido instrumentista da cena contemporânea de chorinho, o músico belo-horizontino Warley Henrique decidiu ampliar as possibilidades melódicas e harmônicas de seu companheiro inseparável, o cavaquinho. Nesta terça, ele sobe ao palco do Teatro Bradesco para lançar seu segundo disco, “Pra quem Não me Conhece”.

Se o primeiro trabalho era dedicado especialmente ao samba e ao choro, inspirado nos ídolos Paulinho da Viola e Jacob do Bandolim, desta vez ele percorre outros caminhos musicais, explorando territórios como a música popular, bossa nova, soul, funk, jazz.

“Busquei outras referências, quis trazer novas caras para o cavaquinho, colocando o instrumento em evidência em outros campos, abrindo esse leque de possibilidades. É uma nova fase da minha carreira”, comenta o músico.

As novas experiências incluem, também, assumir pela primeira vez, os vocais de uma canção, o samba “Pensando na Vida”, em que cita Cartola e Noel Rosa. De fala mansa e pausada, como seus ídolos sambistas, Warley diz que ficou satisfeito com o resultado. “Soou um pouco como o Paulinho da Viola”, admite, tímido.

O disco é essencialmente autoral, e explora o cavaquinho tanto como acompanhamento como no instrumento solo. Das 10 faixas, duas são composições com os parceiros de longa data Amauri Aranha e Thiago Delegado; o restante são músicas próprias. “Quis colocar no disco algumas referências fora do universo do choro, mas que são importantes na minha formação musical”, explica Warley.

Logo na primeira faixa, “Bença”, ele busca ritmos da cultura popular, como o congado e o maracatu, com presença forte de caixa de folia e patangôme da instrumentista Raquel Coutinho, sempre somada às notas do cavaquinho.

A partir daí, surgem nomes como Miles Davis, na música “Tempo”, que combina o solo de cavaquinho à base jazzística formada por trompete, baixo acústico, piano e bateria. “É uma faceta tão pouco explorada do instrumento, quis trazer isso também”, diz. Referências de compositores brasileiros também podem ser pinçadas nas faixas. Luiz Gonzaga é evocado em “Segunda Parceria” e Tom Jobim em “Pra Dizer que Te Amo”.

Para encerrar o disco, o virtuosismo do músico em estado bruto: em “Novos Rumos”, o cavaquinho é o único instrumento.

Comparação. Inevitável é a comparação com “Delicado”, de 2009: com ele, o músico ganhou projeção e muitas premiações, como a de melhor CD instrumental, autoral e de produção independente do prêmio Marco Antônio Araújo, do BDMG Cultural, além de ter sido finalista da categoria Revelação no Prêmio da Música Brasileira.

“Claro que fiquei muito feliz com o que conquistei no primeiro disco, mas não existe uma expectativa de receber a mesma atenção com o novo. O importante é dar continuidade ao trabalho”, avalia.

Diferentemente do primeiro disco, em que contou com grandes participações, como Dona Ivone Lara e Wilson das Neves, neste ele preferiu fazer o CD dentro das fronteiras de Minas, e convidou músicos como Aline Calixto (que canta “Pra Dizer que te Amo”) e Sérgio Pererê (que faz vocalizações em “Coisas de Minas”).

“Fiz um disco muito bem misturado, coloquei várias das minhas referências musicais. Quem ouve o ‘Delicado’ e esse, se não olhar a capa, pensa que são músicos diferentes”, reflete o instrumentista.

Assim, com tantas novidades, o título do álbum abarca bem a ideia da nova fase. “Era para ser ‘Pra quem me Conhece e Não me Conhece’, mas ia ficar muito longo. Acho que o nome casou com o trabalho, porque na verdade ninguém conhece esse outro lado que eu apresento. No fundo, o disco é para todo mundo”, afirma.

Agenda

O quê. Lançamento do CD “Pra quem Não me Conhece”, do instrumentista Warley Henrique

Quando. Nesta terça, às 20h30

Onde. Teatro Bradesco (Centro Cultural Minas Tênis Clube, rua da Bahia, 2.244, Lourdes, 3516-1360)

Quanto. R$ 30

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave