Integrantes da Máfia Azul são condenados por morte de torcedor rival

Defesa afirma que vai recorrer e buscar a absolvição; soma das condenações chega a 24 anos de prisão em regime fechado

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Os integrantes da torcida organizada Máfia Azul, Francisco Onofre de Souza e Alexandre Mendes da Silva, foram condenados a penas em regime fechado de 9 anos e 15 anos, respectivamente, pelo assassinato de um torcedor do Clube Atlético Mineiro. A decisão é da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

De acordo com a denúncia, em 5 de agosto de 2005, por volta das 22h30, os réus, juntamente com o codenunciado Warlei Alves dos Santos, passavam de carro em frente ao ponto de ônibus situado na avenida Silviano Brandão, na altura do número 1205, no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte.

Alexandre reduziu a velocidade do carro que dirigia até quase pará-lo, propiciando que Santos pudesse atirar, sem sair do veículo, contra vários torcedores do Atlético que estavam no ponto de ônibus. Em seguida, fugiu em alta velocidade.

Foram atingidos pelos disparos as vítimas D.A.R., W.A. e W.S.T – este último acabou morrendo em decorrência dos ferimentos.

A denúncia afirma que o crime foi praticado por motivo fútil, pois os réus não se conformaram com a derrota do Cruzeiro Esporte Clube pelo Atlético Mineiro, ocorrida naquele dia, durante partida no estádio Independência.

Decisão

O II Tribunal do Júri da comarca de Belo Horizonte havia condenado Francisco Onofre de Souza a dez anos de reclusão em regime fechado e Alexandre Mendes da Silva a 16 anos de reclusão, também em regime fechado.

Ambos os réus recorreram, pedindo a realização de novo julgamento, ao argumento de que a decisão dos jurados era contrária às provas dos autos. Alternativamente, pediram a revisão do cálculo da pena.

Ao analisar os autos, o relator do recurso, o juiz convocado Amauri Pinto Ferreira, observou que estava extinta a punibilidade do réu Santos, autor dos disparos, em razão de seu falecimento.

O relator destacou que o próprio réu Souza confessou que estava no interior do carro quando ocorreu o crime e Silva, também em depoimento, confirmou ser ele o motorista do carro de onde partiram os tiros.

Tendo em vista os próprios depoimentos dos réus e outras provas acostadas aos autos, como depoimento de vítima sobrevivente, o relator avaliou que as decisões do Conselho de Sentença, em relação aos dois réus, eram harmônicas com o conjunto probatório, não podendo ser anuladas.

Em relação ao recurso de Silva, o relator ressaltou ainda que “o Conselho de Sentença abraçou versão constante nos autos no sentido que o réu, apesar de não ter sido executor dos disparos, aderiu ao desígnio manifestado pelo atirador, eis que conduziu o mesmo no interior de seu veículo, desacelerou para que o mesmo pudesse mirar e, após os tiros, empreendeu fuga”.

Ao recalcular as penas, tendo em vista o grau de participação e a culpabilidade de cada um no crime, reduziu a pena de Souza para 9 anos e de Silva para 15 anos, ambas em regime fechado.

Defesa

Para a defesa de Souza, o caso ainda não está encerrado. O advogado Lorivaldo Batista Carneiro vai recorrer da decisão. "Vou tentar a absolvição dele porque entendo que não é culpado. Ele não teve participação no crime. Vou provar isso através dos depoimentos que estão nos autos. Além disso, ele estava no veículo na parte de trás e o vidro não abria, então não foi ele quem atirou. Pegou uma carona e infelizmente foi acusado e indiciado", explicou Carneiro.

 

Souza responde ao processo em liberdade.

 

A defesa de Silva foi procurada pela reportagem, mas não retornou às ligações.