CBFS inicia processo de mudança

Aécio Vasconcelos tem familiares na instituição, que admitem uso de caixa dois

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Revolta. 
Antônio Madeira diz que as críticas dirigidas à diretoria da entidade nacional são antigas
LEO FONTES / O TEMPO
Revolta. Antônio Madeira diz que as críticas dirigidas à diretoria da entidade nacional são antigas

Desde 1979 na presidência da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), Aécio Vasconcelos pode estar vivendo seus últimos momentos à frente da entidade. Na última sexta-feira, Vasconcelos se afastou do cargo. Ele indicou o vice-presidente de competições, Renan Pimentel Tavares de Menezes como seu substituto. No dia 25 de maio, assembleia com a presença da maioria dos representantes das federações estaduais reprovou as contas após analisar relatório detalhado.

As denúncias contra Vasconcelos passam por empréstimos e gastos não explicados, além de favorecimento familiar. Filhas do presidente são funcionárias da CBFS, situação que ele considerou ser normal em entrevista recente ao site da ESPN Brasil.

O responsável por comandar a assembleia foi Marcos Antônio Madeira, presidente da Federação Mineira de Futsal (FMFS). Ele ainda custa a acreditar no que foi dito por Virgínia Borba, filha de Aécio e diretora financeira da CBFS. “Ela falou que a entidade faz caixa dois. Ainda chegou a questionar quem não faz isso nos dias de hoje, como se fosse algo corriqueiro. Depois de mostrarmos todas as contas, o presidente ficou calado, preferiu não se defender”, lamenta Madeira.

No encontro, foram mostrados detalhes de contas e empréstimos feitos, grande parte deles envolvendo empresas do próprio presidente da CBFS. “A confusão é tanta que, em alguns momentos, não se sabe se a verba é da confederação ou das empresas dele. A ARFE, por exemplo, foi criada somente para emitir notas fiscais”, indica Madeira. A empresa citada é de propriedade de José Armando Silva Gondim, genro de Vasconcelos.

Outra empresa que aparece nos relatórios é a VPI Publicidade, de propriedade do presidente ao lado de esposa e filhas.

Apesar de notas fiscais terem sido emitidas pela ARFE e pagas pela CBFS, elas não correspondem a nenhum serviço prestado.

A ideia é que tudo o que foi mostrado seja repassado para as autoridades. “Estamos pensando em levar o relatório ao Ministério Público e também à Polícia Federal”, afirma Madeira.

Recentemente, Falcão e outros atletas campeões do mundo em 2008 e 2012 afirmaram que não voltarão a defender o país enquanto tal “ditadura” continue presente. O retorno pode estar próximo, depois do afastamento.

Caixa dois

“A diretora financeira da CBFS, filha do presidente Aécio Vasconcelos, falou na assembleia, com todas as letras, que a entidade faz caixa dois. Ainda chegou a questionar quem não faz isso nos dias de hoje, como se fosse algo normal e corriqueiro.”

Marcos Antônio Madeira - Presidente da Federação Mineira de Futsal

Denúncias de irregularidades não são novas  Marcos Antônio Madeira, presidente da Federação Mineira de Futsal, garante que o descontentamento das federação existe há anos e que a situação de bater de frente sozinho mudou recentemente.

“Em 2011 ainda, fui o único que se manifestou de forma contrária à CBFS. Muitas federações recebiam verbas dos patrocinadores. Se elas fossem externar tudo o que gostariam, ficariam sem o repasse dos recursos. A saída dos Correios e do Banco do Brasil foi a oportunidade para que muitos se manifestassem”, destaca Madeira, referindo-se aos dois principais apoiadores da entidade.

Segundo Madeira, o presidente da CBFS, Aécio Vasconcelos, chegou a prometer e cumprir represálias, de diferentes formas, contra os opositores. 

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