Uma família dedicada a cuidar da nossa seleção

iG Minas Gerais |

Mariela Guimarães
"Perdemos a Copa de 1982 com aquele time maravilhoso, mas, em 2002, por meio do Rodrigo, eu me realizei" - Neylor Lasmar

“Perdemos a Copa de 1982 com aquele time maravilhoso, mas, em 2002, eu me senti retratado. Por meio do Rodrigo, eu me realizei”. A frase pertence ao médico Neylor Lasmar, que teve a esperança de atingir a glória frustrada e viu o sonho de participar da conquista de uma Copa do Mundo lhe ser arrancado por duas vezes de maneira bruta, mesmo com todos vendo o escrete canarinho encantar o planeta. O futuro, porém, lhe guardava um alento.

Ver o filho Rodrigo Lasmar “levantar a taça” anos depois de seu mundo ir ao chão deixou claro que todo aquele árduo caminho moldado por decepções não foi em vão. E o bônus pode vir neste ano, quando a família Lasmar estará com a seleção em busca da honra máxima em pleno solo brasileiro.

Médico da seleção em 2002 e 2006, e de volta à equipe médica desde o retorno de Felipão, Rodrigo Lasmar tem como modelo de profissão – e de vida – o seu pai, Neylor Lasmar, o chefe da comissão médica do Brasil nas Copas de 1982 e 1986. Apesar de nos números já superar o pai, Rodrigo espera atingir patamares ainda maiores e, para isso, conta com mais conselhos de seu “professor”.

“Eu ainda tenho muito a aprender com ele. Esses números são frutos de oportunidades em que eu felizmente tive a chance de, por exemplo, estar em 2002 com o Brasil pentacampeão. A sorte também me ajuda muito a estar no momento certo, na hora certa. Foi um trabalho muito benfeito”, disse Rodrigo, ao lado de Neylor, em entrevista a .O TEMPO

A escolha pela medicina foi construída desde cedo, iniciada quando o menino Rodrigo acompanhava o pai na Vila Olímpica, antigo centro de treinamento do Atlético. O seu primeiro grande aprendizado veio em 1986, quando foi com o pai para a Copa do Mundo no México – junto com os filhos de Telê Santana e José Maria Marin – e viu de perto a determinação e a angústia de Zico durante o Mundial.

“O Zico estava com uma lesão grave no joelho e tinha indicação cirúrgica, mas não havia tempo para ele chegar à Copa se acontecesse essa operação. E o Telê (Santana, técnico) não abria mão do Zico pela liderança e pela influência”, lembra Neylor.

Rodrigo ainda era um adolescente em 1986 e acredita que a situação de Zico e o clima de superação demonstrado pelo jogador durante o Mundial o ajudaram a decidir o seu ofício futuro.

“Eu tinha 14 anos, então pude vivenciar de perto a questão do Zico, que foi muito marcante para mim. Ele se dedicava muito, pois tinha uma lesão no joelho e precisava se recuperar. Todo dia ele ia para a academia, e eu o encontrava lá e via todo aquele esforço, aquela dificuldade do jogador com um desafio pela frente. Isso me marcou muito e me influenciou na escolha (de ser médico), sem dúvida nenhuma”, revela Rodrigo.

Herdeiro. Enquanto Rodrigo mantém o seu caminho como médico da seleção brasileira e como chefe da comissão médica do Atlético, o futuro dos Lasmar parece que está sendo, sem qualquer pressão direta, moldado para que a saga da família continue por ainda muito mais tempo.

Filho de Rodrigo, Tomás, 5, repete a formação de amor ao futebol e já é presença constante na Cidade do Galo durante os fins de semana. O pai garante que a influência existe, mas deixa claro que tudo seguirá seu fluxo normal, sem alimentar essa continuação forçada na próxima geração.

“É engraçado que a história se repete. Involuntariamente, eu faço com o meu filho o que ele (Neylor) fazia comigo. Sábado de manhã, ele vai comigo para o centro de treinamento acompanhar, ver como é o dia a dia. É uma coisa que vai acontecendo naturalmente”, comenta Rodrigo Lasmar.

“Ele terá a oportunidade de seguir o caminho dele, escolher o que ele quer fazer, mas, sem dúvida nenhuma, o futebol é e vai ser marcante na vida dele. Não sei o que ele vai querer ser. Eu acho que é muita responsabilidade colocar isso na conta dele. Ele ainda tem 5 anos, mas já gosta do futebol e tem a curiosidade pelo esporte. Ele vai saber escolher o futuro”, completa o pai de Tomás, que tem Olívia, 3, como irmã mais nova e, quem sabe, a primeira mulher da família Lasmar a se aventurar no mundo do futebol e manter o já conhecido sobrenome no topo.

NO BRASIL. Calejado com as decepções do passado, Neylor irá “fugir” do Brasil nas duas primeiras semanas da Copa do Mundo deste ano, ficando, claro, longe de Rodrigo e dos netos. “Não; já sofri muito com isso. Nas duas primeiras semanas eu estarei fora”, disse Neylor.

Contudo, ele aponta que acompanhará tudo de longe e voltará para torcer pelo filho e pela seleção brasileira, claro. Já Rodrigo garante estar focado no Mundial e espera estar “em campo” no dia 13 de julho no Maracanã para ajudar a superar outro revés do passado.

“A torcida vai abraçar a seleção, e isso será fundamental para sermos campeões no Maracanã, um sonho de todo brasileiro após 1950”, afirmou o médico da seleção, lembrando o revés brasileiro em pleno Templo do Futebol para o Uruguai. Se depender da sorte do sucessor de Neylor, a história desta vez será bem diferente.

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