Aneurisma abdominal é pouco conhecido, mas mata 6.500 por ano

Tabagismo, pressão arterial alta e colesterol elevado são fatores de risco

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

O médico Luiz Marcelo A. Viarengo alerta sobre o problema
v
O médico Luiz Marcelo A. Viarengo alerta sobre o problema

Quando se fala em aneurisma, logo pensamos no cérebro. Mas há outro tipo grave da doença e que mata cerca de 6.500 pessoas por ano no Brasil: o aneurisma da aorta abdominal (AAA).

O problema consiste em uma protuberância ou dilatação preenchida de sangue na aorta – vaso que sai do coração e vai até o abdômen. Dependendo de sua gravidade, o AAA pode se romper, causando uma hemorragia interna e fortes dores na região abdominal ou lombar.

Nesses casos, é fundamental o atendimento rápido. “A mortalidade está relacionada ao momento em que se inicia a dor até a hora em que o paciente é operado. Nas primeiras seis horas, a mortalidade é zero. De seis a 12 horas, passa para 50%, chegando a 80% se o paciente não for operado em até 24 horas do início da dor”, explica o médico Haroldo Oliveira Diniz, cirurgião vascular do hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Além da mortalidade, o que torna o AAA uma doença perigosa é o fato ser assintomática. O paciente não sente dor, inchaço, mal-estar, nada que possa denunciar a existência de um problema. “Normalmente, o aneurisma abdominal é descoberto por acaso, quando o médico pede um ultrassom de abdômen para analisar algum problema em outro órgão”, revela o médico.

Fatores de risco. As causas de AAA ainda são desconhecidas, mas sabe-se que está relacionado a alguns fatores de risco. “Ser do sexo masculino, fumante ou ex-fumante, com mais de 50 anos, pressão arterial alta, aterosclerose, histórico familiar e colesterol elevado” são os principais, segundo o angiologista e cirurgião vascular paulista Luiz Marcelo Aiello Viarengo.

Os pacientes com aneurismas de diâmetro inferior a 5 cm devem fazer o controle com ultrassom do abdômen e acompanhamento médico a cada seis meses.

Tratamento. Caso o AAA esteja crescendo muito rapidamente ou se estiver superior a 5 cm, é recomendada cirurgia, que pode ser aberta ou endovascular. “Com esse último método, faz-se uma pequena incisão na virilha e, através da artéria femoral ou ilíaca, é introduzida uma endoprótese por dentro da aorta para isolar o segmento dilatado. O procedimento é minimamente invasivo, mas não é isento de complicações. Se tudo transcorrer dentro do esperado, o paciente pode voltar para casa em pouco tempo”, explica Viarengo.

Mesmo depois da cirurgia, o paciente deve continuar o controle, pois, em alguns casos, o aneurisma pode continuar crescendo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave