Macalé é tema de mostra

“Ocupação Jards” compila vida e obra de artista

iG Minas Gerais |

Revisitado. Jards Macalé tem visto sua trajetória ser relembrada por filmes, mostras e discos
NATY TORRES/Divulgação
Revisitado. Jards Macalé tem visto sua trajetória ser relembrada por filmes, mostras e discos

São Paulo. Jards Macalé há tempos não come a farinha do desprezo em relação à sua obra. Nos últimos anos, sua trajetória foi relembrada em dois documentários; seu primeiro disco foi relançado em vinil e suas faixas foram gravadas por artistas da nova geração no tributo “E Volto pra Curtir”, disponível para download gratuito na internet. 

A Ocupação Jards, em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, se aprofunda ainda mais em sua história por meio de material multimídia. O artista acredita que as recentes abordagens e releituras de sua vida e trabalho são sinais de que ele é melhor compreendido hoje. "A música me levou a diversos caminhos e tudo isso ficou muito disperso. Acho que o material dá uma dimensão mais clara sobre o meu trabalho."

Parte do acervo veio das mãos do próprio Macalé. Cartazes de show, textos e fotos foram guardados por ele ao longo dos anos. O gerente do núcleo de música do Itaú Cultural, Edson Natale, conta que a ideia de fazer uma ocupação com a obra do artista vem de 2001, quando Macalé capitaneou uma releitura de “O Banquete dos Mendigos” no Theatro Municipal de São Paulo, também organizada pela instituição.

À época, ele esteve na casa do cantor e compositor em Penedo, no sul fluminense, e se impressionou com o material acumulado. “Vi que poderia fazer algo com aquilo, formava um mosaico. A ocupação junta os cacos do Macalé e forma algo maior”, salienta Natale.

A cenografia da ocupação é assinada por Lourenço Mutarelli, convidado por Natale pela ligação que Macalé tem com os quadrinhos. Ele criou a Macalândia, espaço no qual o acervo está disposto, e o personagem Makalé, espécie de alter ego do artista, pintado em telas acrílico e expostos na seção de quadrinhos, compostas por itens da coleção pessoal de Macalé, indo de gibis do Batman aos desenhos eróticos de Carlos Zéfiro. Mutarelli revela que a inspiração para o conceito visual veio de “Gotham City”, parceria de Macalé com Capinam. “Eu queria que tivesse um grau de respeito e sofisticação, para não ficar apenas na questão do underground ou do maldito, que por muito tempo ficou atrelada ao Macalé", diz Mutarelli.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave