Festival também discute produção infantojuvenil

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Eileen Sanabria defende uma nova forma diálogo com os jovens
Biel Machado/Universo Producao
Eileen Sanabria defende uma nova forma diálogo com os jovens

Ouro Preto. A representante cubana no debate de sábado no CineOP, a psicóloga Eileen Sanabria Herrera, não veio discutir a preservação audiovisual em seu país. Coordenadora do El Universo Audiovisual de la Niñez Latinoamericana y Caribeña, conhecida como Red Unial, ela trabalha com uma outra forma de salvaguardar a memória do cinema do continente: por meio da educação e da produção audiovisual para crianças e adolescentes. 

“A produção infantil é a que menos paga na América Latina. Quase todos os seus realizadores vivem de outras formas, mas é a mais importante porque é ela que forma público para o nosso cinema”, afirma Sanabria. No Brasil, a preocupação é ainda mais urgente, já que a produção cinematográfica para o público é quase inexistente. Em 2013, o país produziu apenas duas animações – e a principal delas, “Uma História de Amor e Fúria”, era voltada primordialmente ao público adulto.

A Red Unial – formada principalmente por psicólogos, sociólogos e historiadores – teve seu primeiro encontro no Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana, em 1986. Mas só foi criada oficialmente em 1991, por seu idealizador Pablo Ramos, que faleceu no ano passado. Seu trabalho consiste em quatro eixos principais: festivais de produções feitas por e para crianças e adolescentes; espaços alternativos de difusão, como escolas e centros comunitários; a produção de obras em si; e a docência e pesquisa na área.

Na sua apresentação no debate, Sanabria mostrou uma série de imagens – um walkman, telefone com discador, um rádio analógico, entre outros – que são familiares para qualquer adulto, mas a maioria dos adolescentes hoje não sabe para que serve. “É preciso saber como dialogar com essas crianças e educá-las sobre a história dos meios para que elas saibam ler seus conteúdos e se defender das mensagens e ideologias que veiculam”, argumentou.

No Brasil, a Red é parceira do Cineduc e conta com representantes em várias cidades do país. Mas o fato de que esses próprios representantes muitas vezes não se dão conta disso é um dos principais motivos da vinda de Sanabria à mostra em Ouro Preto. “Há muitos casos em que nós temos mais de uma organização na mesma cidade que são afiliadas à Red e elas não conhecem uma a outra, ou não sabem que são parceiras, não se comunicam”, admite.

Para mudar isso, a coordenadora veio tentar “criar pontes” com organizações já estabelecidas no Brasil que tenham missão e valores similares ao da Red Unial, caso da Rede Kino, ou Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual que se reúne anualmente no CineOP desde 2010. “Se andamos sozinhos, vamos mais rápido. Mas se caminhamos juntos, chegamos mais longe”, filosofa, refletindo o tema da formação de redes da mostra deste ano.

O jornalista viajou a convite do CineOP

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