Missão brasileira no Haiti ajudou ambos países, mas hoje vive desgaste

Neste domingo (1), a participação de tropas brasileiras na missão de paz do Haiti completa 10 anos; relação, porém, sofre desgaste, devido a questões burocráticas, políticas e culturais relacionadas ao próprio país

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

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Neste domingo (1), a participação de tropas brasileiras na missão de paz do Haiti completa 10 anos. Com a operação militar, o Brasil aumentou a importância no cenário internacional e ajudou o Haiti em um período de diversas crises políticas e catástrofes naturais. Tudo isso teve, claro, um custo: aproximadamente R$1,3 bilhão dos cofres nacionais.

Uma década se passou e o Brasil e a comunidade internacional em geral enfrentam no Haiti uma fase de desgaste de esforços. Essa fadiga é causada em grande parte por questões burocráticas, políticas e culturais relacionadas ao próprio país, afirmam analistas. Uma das amostras é o estudo da ONU para começar a se retirar do país em 2016. A instituição fornece apoio para a solução de uma crise política de grandes proporções no local: há cerca de dois anos o Haiti tenta eleger um novo Parlamento, sem sucesso.

Dados Até o fim do ano passado, a operação militar brasileira no país custou R$ 2,1 bilhões. De acordo com o Ministério da Defesa, 35% desse valor foi reembolsado pela ONU. Durante o período, 30 mil militares passaram pela missão; desses, 22 morreram, sendo a maioria durante o terremoto de 2010.

Mesmo assim, autoridades e estudiosos consideram que a missão tem sido positiva tanto para o Brasil quanto para o Haiti. Isso porque, em linhas gerais, o cenário de segurança no Haiti foi estabilizado. Confrontos significativos entre rebeldes e capacetes azuis não ocorrem há sete anos. Além disso, estatísticas dos crimes comuns começaram a baixar no ano passado.

A melhora, no entanto, não significa que o país esteja totalmente calmo. A crise política e a ausência do Estado em alguns setores vêm deflagrando uma série de manifestações populares  desde setembro do ano passado.

Na economia, a existência da missão de paz tem injetado bilhões de dólares no Haiti. Somente após o terremoto de 2010 quase US$ 10 bilhões foram prometidos por países doadores para reconstruir a nação caribenha. Críticos disseram porém que uma parte considerável desse dinheiro não foi investida diretamente no país, mas na manutenção das estruturas de milhares de ONGs internacionais que operam no território.

De acordo com o embaixador brasileiro Igor Kipman, que acompanhou toda a missão no país como responsável pela divisão de Caribe no Itamaraty, em entrevista à BBC, a comunidade internacional lida hoje com um problema de "fadiga" na missão no Haiti. Uma parte disso está relacionada a uma herança cultural haitiana que faria certos segmentos da sociedade tenderem a rechaçar ações internacionais no país.

Os fatores político e burocrático também têm sido dificultadores. Há quatro anos, o presidente Lula prometeu a construção no país de quatro unidades da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A primeira delas deveria ter ficado pronta no mesmo ano - mas ficou pronta em 2014. O motivo? O governo disse que uma verba de US$ 70 milhões (R$ 157 milhões) está disponível, mas o Haiti teria tido dificuldade para construir as unidades.

Para o Brasil, a participação trouxe mudanças não só para o país estrangeiro, mas para a nação tupiniquim. Segundo Kipman, para o Brasil foi uma aprendizagem extraordinária, não só profissional mas do ponto de vista humano. De acordo com ele, esse ganho de experiência também aconteceu na área civil, com diplomatas e ONGs. A Embrapa também se beneficiou, ganhando experiência para ser usada no Brasil.

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