Qualificação é meta entre as mulheres

Depois de “invadir” canteiros de obras em Minas, elas lutam agora por um lugar ao sol

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Futuro. Servente de obras, Simônica dos Santos quer fazer agora supletivo e depois curso técnico
leo fontes
Futuro. Servente de obras, Simônica dos Santos quer fazer agora supletivo e depois curso técnico

Há alguns anos, elas encontraram no setor da construção civil a saída para fugir do desemprego e reforçar a renda familiar. Agora, elas partem para a qualificação e a conquista de um lugar ao sol. Considerável parcela das mulheres mineiras que experimentaram os canteiros de obra e arregaçaram as mangas agora já começa a colher os frutos da determinação. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), no ano de 2000, o índice de mulheres atuando em todo o Estado era de 6,29%. Doze anos depois, esse percentual subiu para 8,61%. Hoje, de acordo com a entidade, a parcela feminina na área responde por cerca de 9% , com cerca de 200 mil mulheres atuando no setor em Minas.

Gerente de Educação profissional do Senai, Fernando Alcântara revela que a inserção de mulheres qualificadas pela instituição no setor da construção civil chega a 55% da oferta. Ele aponta como principal fator para este fenômeno a crescente demanda de vagas, que exigem disponibilidade e nível de formação mais elevado. “Até mesmo funções antes exercidas somente por homens estão sendo exercidas, e com muita maestria, pelas mulheres”, afirma.

Acostumada com o ambiente de obras desde criança quando era levada pelo pai para o trabalho para desamassar pregos, a técnica em edificações Priscila Ferreira, 29, é hoje dona de uma empresa especializada em acabamentos, que presta serviços para grandes grupos. Entre 2006 e 2011 ela morou em Portugal e conseguiu colocação em uma construtora, onde trabalhou por cinco anos. Ao retornar ao Brasil, decidiu dar o grito de independência. Com R$ 10 mil abriu, há um ano, abriu sua própria empresa, que hoje emprega quatro funcionários e tem faturamento mensal da ordem de R$ 20 mil.

Até mesmo quem engatinha na área sonha em alçar voos mais altos. Depois de trabalhar como diarista em casas de família e, no último ano, como babá, com salários inferiores a R$ 700, Simônica dos Santos, 25, decidiu dar uma guinada radical. Há quatro meses ela se ofereceu para uma vaga de servente de obras em uma construtora com salário de R$ 813, e surpreendeu-se com um mundo até então desconhecido. “O trabalho é duro, mas me sinto mais realizada. A cada dia aprendo uma coisa nova”, diz, revelando que pretende seguir carreira na área.

Simônica, que cursou somente o ensino fundamental, pretende fazer agora um supletivo de curta duração e depois partir para a formação técnica. “Quero subir na vida e também dar minha parcela de colaboração para a sociedade”, sonha ela.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave