Artes da guerra e da bola se encontram no Brasil

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Imageador aéreo da Polícia Militar facilita a observação em ações noturnas
LEO FONTES / O TEMPO
Imageador aéreo da Polícia Militar facilita a observação em ações noturnas

Não é guerra, mas é uma Copa do Mundo singular. Diferente de outras edições, a maior competição de futebol do planeta virá, neste ano, associada a manifestações populares, o que fez com que o Estado brasileiro arquitetasse o maior e mais elaborado plano de segurança da história do país.

Em tão pouco tempo, nunca se investiu tanto em segurança: serão R$ 1,9 bilhão em 2014. Além disso, nunca tantas forças de segurança, tantos homens e tantas horas de estratégia foram reunidos na salvaguarda de um evento.

Só das Forças Armadas, 57 mil militares estão recrutados para ações de controle dos espaços aéreo, marítimo e fluvial, segurança de estruturas estratégicas, defesa cibernética, contraterrorismo e defesa química, biológica, radiológica e nuclear. Desse total, 21 mil ficam preparados para compor a força de contingência em caso de grandes catástrofes ou violência sem controle. Em Minas, serão 60 mil “combatentes” em todo o Estado, sendo 20 mil na região metropolitana de Belo Horizonte ligados diretamente ao Mundial.

No poderio bélico, o Brasil tem adquirido aquilo que há de mais moderno em equipamentos. Em março, o Exército comprou um sistema de defesa aéreo da Suécia por R$ 30 milhões. Trata-se de lançadores portáteis, mísseis, simuladores e equipamentos de visão noturna e de manutenção. No ano passado, o Exército já tinha comprado 34 carros de combate alemães.

Atraso. Além de toda a frota e o armamento que já possuem ou compram regularmente, as Polícias Militares das 12 sedes também vão receber do governo federal equipamentos de proteção individual e veículos antitumultos. A entrega, no entanto, prevista para o fim de maio, está atrasada. Em Minas, segundo o coronel Antônio Bettoni, gestor estratégico da Polícia Militar para a Copa, os materiais só devem chegar no dia 10 de junho, quatro dias antes do primeiro jogo no Mineirão.

São viseiras, botas, escudos, caneleiras, ombreiras e demais apetrechos de proteção. Em São Paulo, os militares costumam chamar o conjunto de “Robocop”, em alusão ao policial futurista dos cinemas.

Toda essa tropa é justificável não só pelo temor de atos de violência e vandalismo pelas ruas, mas pelas garantias diplomáticas que o governo deve cumprir com relação à escolta e à segurança de chefes de Estado e cerca de 300 mil turistas estrangeiros que desembarcarão no país.

 

 

Forças tentam se integrar Criada quatro anos depois da escolha do Brasil como sede, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), do Ministério da Justiça, assumiu a função de integrar as forças públicas de segurança e defesa civil nas diferentes esferas de governo. Muito da estrutura já foi testado na Jornada Mundial da Juventude e na Copa das Confederações, ambas no ano passado.

O sistema administrativo do país, inclusive, é uma das críticas do secretário da Fifa, Jérôme Valcke, à dificuldade de organizar o evento no Brasil. Nessa área de segurança, os Estados têm autonomia de planejamento para concentrar ou dividir funções para determinados órgãos, por exemplo.

O Estado de Minas Gerais já divulgou seu plano de “guerra”. Tudo é comandado do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), que observa todas as regiões de interesse por meio de câmeras e envia ordem de ação (veja na página ao lado o plano mineiro). (TN)

 

Atribuições

Polícias Militares. Policiamento ostensivo, distúrbios civis e grupos táticos especiais

Polícias Civis. Investigação e perícia

Polícia Federal. Fronteiras, imigração, crimes federais e terrorismo

Polícia Rodoviária Federal. Estradas federais, operações especiais e escoltas

Força Nacional. Atuação pontual complementar

Forças Armadas. Espaço aéreo e marítimo, fronteiras, guarda de infraestrutura, ataques químicos, biológicos, radiológicos e nucleares e contraterrorismo

Abin. Inteligência e análise de risco

Receita Federal. Trânsito de mercadorias, veículos e pessoas

Bombeiros/Defesa Civil. Incêndios, desastres naturais e saúde

Guardas Municipais. Segurança ostensiva

Detrans/ Eng. Tráfego. Trânsito e deslocamentos Defesa disponibiliza veículos O Ministério da Defesa listou os veículos das Forças Armadas que estarão empenhados no Mundial. Das aeronaves serão: 24 Super Tucano (A 29), dez caças F-5, três aviões radares (E-99), 47 helicópteros (36 para fiscalização e 11 exclusivos para defesa do espaço aéreo) e 29 aeronaves de apoio. Entre os veículos navais, serão disponibilizados quatro fragatas, uma corveta, 21 navios-patrulha, um navio de desembarque e 183 lanchas. Não foi detalhado exatamente onde cada veículo irá atuar. No entanto, neste domingo, está prevista a chegada de dois navios da Marinha em Salvador para o reforço da segurança. Sem férias durante o Mundial  Em Minas, nenhum órgão de segurança terá homens de férias no período da Copa. O regime especial de segurança teve início no dia 23 de maio e vai até o dia 18 de julho, cinco dias depois da final. Nesses primeiros dias, estão sendo realizados trabalho de inteligência, monitoramento e funcionamento do Estado Maior tático. Na semana passada, a Polícia Militar apresentou oficialmente seu Batalhão Copa. São 2.860 militares acadêmicos divididos em seis companhias. Eles irão atuar no Mineirão e nas áreas oficias da Fifa, como a Fan Fest, no Expominas, e os centros de treinamentos, além de pontos turísticos, hotéis e terminais de mobilidade urbana. Exército assume delegações  Nessa última semana, depois de a presidente Dilma reclamar da facilidade com que manifestantes chegaram próximo ao ônibus da seleção – na saída do Rio para a Granja Comary, em Teresópolis –, o governo federal decidiu que as tropas do Exército assumirão a responsabilidade pela segurança dos aeroportos, dos hotéis e das ruas por onde deverão circular delegações com as equipes estrangeiras, governantes estrangeiros e dirigentes da Fifa. Diversos órgãos já fazem parte da operação de escoltas das seleções, como as polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros e autarquias de controle de trânsito.

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