O perigo da frequência máxima

Antes de começar uma atividade física de alto impacto, condição do organismo deve ser avaliada

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Treinos. Incluir os exercícios de fortalecimento muscular pode ajudar na prevenção de lesões
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Treinos. Incluir os exercícios de fortalecimento muscular pode ajudar na prevenção de lesões

Após quatro anos praticando atividades físicas, a dentista Natalia de Oliveira, 29, teve que parar os treinos para tratar uma lesão no joelho. “Fazia musculação e body jump (exercício aeróbico de alto impacto realizado em minitrampolins) três vezes na semana. Começou com uma dorzinha leve, mas como eu não parei de praticar, a dor foi aumentando, até que teve um dia que eu não consegui mais fazer o exercício”, lembra.

Apesar de serem ótimos para adquirir condicionamento, os treinos de alta intensidade pecam na questão ortopédica, explica Paulo Lobo, presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia no Esporte (Sbrate). “A pessoa atinge bom condicionamento aeróbico rápido. Só que na parte ortopédica ela começa a ter lesões, pois não estava acostumada a essa carga de treino. Por isso, muitos são contra o crossfit (modalidade que reúne uma bateria de exercícios pesados), que lesiona bastante, principalmente joelho e coluna”.

Segundo o fisioterapeuta Anderson Aurélio da Silva, atividades como o Extreme Fit, que fazem o aluno ficar por cerca de uma hora entre 82% e 92% da sua frequência cardíaca máxima, deve ser muito bem avaliada. Caso contrário, pode trazer riscos. “Isso é uma condição de quase atleta. Com a população em geral, trabalhamos com a frequência entre 70% e 80%. Acima disso, pessoas com problemas cardíacos estão correndo risco”, diz.

Lobo também não recomenda a prática de atividade física nessa intensidade por tanto tempo, e diz que é preciso ter uma excelente forma física para conseguir permanecer.

Os dois médicos orientam para que uma avaliação prévia seja feita nos tendões, nas articulações, na estrutura óssea e nos músculos. “Não é qualquer pessoa que pode fazer uma corrida, por exemplo. Neste caso, uma boa avaliação da pisada é importante para saber se há a necessidade de se usar, por exemplo, uma palmilha para ajudar no amortecimento”, afirma Silva, coordenador do Laboratório de Prevenção e Reabilitação de Lesões Esportivas da Universidade Federal de Minas Gerais (Laprev).

Prevenção. Uma das formas de se prevenir as lesões são os exercícios de fortalecimento muscular. “Os músculos devem estar muito fortes e em equilíbrio, ou uma pisada torta, por exemplo, pode levar a problemas nos joelhos, quadril, coluna e até casos de dor de cabeça”, alerta Silva.

Natalia, que agora está tratando o desgaste na cartilagem do joelho com exercícios para fortalecer a musculatura, acredita que grande parte das lesões acontece por falta de orientação nas academias. “Na aula, via muitos alunos fazendo movimentos de forma errada, e muitos professores não corrigiam”, afirma a dentista.

Quando parar

Alerta. Sentir dor imediatamente após uma atividade física ou até no dia seguinte é normal, mas se o incômodo persistir, um médico deve ser procurado e a atividade física suspensa.

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