Depressão aqui é igual a país em guerra

iG Minas Gerais |

Quem diria que no país do futebol (?), samba, sol, e gente bronzeada querendo mostrar o seu valor estaríamos tão mal no ranking de povo deprimido e estressado. Não bastasse sermos da turma do rebaixamento em educação, saúde, desigualdade social, corrupção, ou talvez até por isso, estamos nós igualando a Síria, Palestina, Sudão, Somália e Ucrânia, deflagrados por guerras, como também os europeus, tradicionais deprimidos que tiveram duas grandes guerras e hoje é terra arrasada por brutal desemprego e crise econômica, em termos de doenças mentais. E prestem atenção, pois entre os jovens de10 a18 anos depressão e suicídio são considerados pela Organização Mundial da Saúde uma epidemia que, associada ao desemprego e tendências ao “nem, nem, nem” ( não querem estudar, nem trabalhar, nem fazer nada), vai criar uma geração de “zumbis sociais”, mortos vivos vagando entre bebidas, drogas, games, telas. Improdutivos, ociosos, revoltados, parasitando pais, avós e sociedade. Talvez esperando um “bolsa-preguiça”. No fim, é a geração perdida, revoltada com tudo, mas sem nos propor nada que reverta este mundo sem rumo. Voltando à vaca fria, numa análise ainda inicial, a violência já atinge 60 mil mortes anuais - o triplo de soldados americanos mortos no Vietnã, transformando não só as grandes e decadentes cidades e capitais, mas levando aos rincões o pânico em explosões de caixas bancários, a infestação do crack, a indecente corrupção generalizada. Podemos dizer que já vivemos em plena guerra urbana, com linchamentos, confrontos com a polícia, tráfico e mafiosos das verbas públicas. Além disso, some-se os congestionamentos infernais, que faz do ir e vir, em sucatas de trens, ônibus e metrôs, torturas diárias. Ou filhos ao Deus dará, nas ruas, à mercê de marginais e molestadores, sem escola decente, abrigo de creches, formação técnica. Sejamos francos, venhamos e convenhamos, qual o futuro, o estímulo, os sonhos que restam aos jovens e à população em geral? Arrumar uma guilhotina e repetir a revolução francesa, tirando o pescoço dos políticos em geral, dos capitalistas insensíveis que mamam nas tetas deste estado corrupto, encarcerar prefeitos, governadores, presidentes? Mandar a elite para Miami? Reciclar o Supremo desinfetando o judiciário de cima para baixo? Como diziam os que nos venderam a esperança contra o medo e nos roubaram a dignidade e o caráter: “o brasileiro não desiste nunca”. Desculpem minha sinceridade, fruto de uma vida como psiquiatra que se recusou a continuar a enriquecer com a dor na alma dos deprimidos e estressados, e se propôs a implantar projetos em educação pública, saúde pública, cultura e meio-ambiente, e me deparei nos últimos dez anos com propostas corruptas do poder público, indiferença dos empresários e detentores do poder, máfias em todos setores, que querem manter tudo precário pois é assim que o “sistema” se alimenta do povo. Vampirizando os impostos, dividindo com seus pelegos e asseclas, mantendo o povão alienado com copas, olimpíadas, falsas promessas, estatísticas mentirosas, arrotadas em programas políticos, fedendo a caviar. Senhores de engenho (políticos, empresários, capitalistas em geral, mafiosos das verbas públicas, espertos em geral como doleiros, laranjas, falsos juristas, profissionais liberais de todas áreas, que vendem a alma para o diabo, entre outros falsos líderes e vendedores de ilusão): a senzala abriu as portas! Pobres, pretos, mestiços, cidadãos de segunda e terceira categoria querem o que é também seu, o direito a uma vida digna, justa, fraterna, cidadã, humana. Pois o dia em que “hordas de doentes mentais”, abandonados sociais, órfãos do capitalismo selvagem e a periferia revoltada se levantarem, não sobrará pedra sobre pedra! Enquanto isso, vamos assistir a tal “copa das copas” em preto e branco, pois nos falta o orgulho da amarelinha, das ruas pintadas, das bandeiras e enfeites, de uma época que não sentíamos medo, e nos restava uma batia esperança!

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave