Alices no país do oportunismo vergonhoso

iG Minas Gerais |

Os últimos dias foram pródigos para quem tem um senso crítico um pouquinho mais apurado – levando-se em conta os padrões brasileiros – e quer motivos para contestar a Copa do Mundo no país. Diante de tantas palavras e tantos fatos oriundos de pessoas que parecem viver em outro mundo, a declaração do coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, é, no mínimo, estarrecedora, para não dizer surreal, quase provocativa. “A CBF é o Brasil que dá certo”, disse o técnico campeão mundial com a seleção em 1994 durante a inauguração da nova sede da entidade, no Rio de Janeiro, e que leva o nome do atual presidente, José Maria Marin, um dos maiores defensores e colaboradores da sangrenta ditadura militar no Brasil. Sem falar na medalha que o mandatário embolsou na premiação da Taça São Paulo e de ter sido acusado por um vizinho de roubar energia elétrica por meio de um “gato”. Na quinta-feira, um jogo organizado pelo “Brasil que dá certo”, entre Bahia e Santos, em Feira de Santana (BA), por pouco não acaba em tragédia devido à irresponsável superlotação do estádio. Pra finalizar o capítulo “Brasil que dá certo”, no último domingo, no começo da tarde, entrei no site do “Brasil que dá certo” para conferir a classificação da Série B, cuja rodada terminara no sábado à noite. Acredite, a tabela oficial da competição, de responsabilidade do “Brasil que dá certo”, ainda não havia sido atualizada. Pra continuar, o que o Atlético-PR fez, ao publicar em seu site o termo “bambis” para se referir aos são-paulinos, denota cabalmente a falta de profissionalismo que assola nosso futebol. Inaceitável, inexplicável, deplorável, coisa de torcedor travestido de jornalista, se é que se pode chamar de “jornalistas” o responsável ou os responsáveis por essa pérola de muito mau gosto. Vamos ver o que o “Brasil que dá certo” fará a respeito dos dois casos. Uma coisa é a brincadeira de torcedor, que é saudável e alimenta o futebol. Outra coisa é uma instituição ofender uma coirmã dessa maneira tão rasteira, preconceituosa e, pior, oficial. Mas a desfaçatez de Ronaldo é incomparável. Agora, se diz “envergonhado” com a organização da Copa. Talvez ele tenha esquecido que é membro do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial e que vinha atuando como uma espécie de garoto-propaganda do evento, dizendo, entre outras coisas, que “não se faz Copa com hospitais”. Do nada, ele muda de opinião e começa a criticar o governo federal pela falta de planejamento, afirmando, inclusive, que não haverá outro Mundial no Brasil devido ao trauma que a Fifa levará do nosso país. O ex-atleta tentou se explicar em uma sabatina da “Folha de S.Paulo” e disse ainda que a repentina e surpreendente mudança de opinião nada tem a ver com o fato de ele estar apoiando um candidato de oposição nas eleições para presidente. Contudo, uma coisa não dá para negar: Ronaldo teve hombridade e coragem para encarar todas as perguntas, e quase concordei com ele quando disse que se deve “baixar o cacete” nos vândalos inflitrados nas manifestações. Bater, sim, mas apenas se for extremamente necessário. Mas o mais importante é fazer o que se fez com os dois jovens que confessaram ter matado o cinegrafista da Band Santiago Andrade, no Rio de Janeiro. Colocar na cadeia e jogar a chave fora. Que isso sirva de exemplo para quem pretende se manifestar na Copa. Ah, não posso me esquecer do nobre deputado Romário, que é um contumaz crítico dos organizadores da Copa, mas está ganhando um bom dinheiro fazendo comerciais que só foram produzidos por causa do evento. Viva o oportunismo!

Filha e neta de peixe. Mas o primor veio da neta de João Havelange e filha de Ricardo Teixeira, que dispensam apresentações. Joana Havelange, que é diretora do mesmo COL do envergonhado Fenômeno, escreveu nas redes sociais que “o que tinha para ser roubado já foi”, referindo-se à preparação para a Copa do Mundo. Ela deve saber o que está falando, pois seu pai era presidente do órgão até abrir mão do poder, envolto em denúncias de ter recebido propina.

Luto. Foi enterrado ontem, na capital, o jornalista Benjamin Abaliac, que, dentre outras coisas, integrou a editoria de Esportes do “Estado de Minas” por apenas 25 anos. Quando eu era um jovem repórter, começando como jornalista no extinto “Diário da Tarde”, do mesmo grupo do EM, tive a oportunidade de contato frequente com o sempre cortês “Benja”, como era carinhosamente chamado. Grande perda para o jornalismo mineiro, para os colegas e mais ainda para a família. Contra isso, não há remédio!

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