Encontrando seu papel

iG Minas Gerais |

Ronaldo causou nova polêmica ao dizer que é preciso “baixar o cacete” em vândalos e mascarados. Vale reforçar: ele se referiu a vândalos e mascarados, e não a manifestantes pacíficos, que, segundo ele, acordaram para as mazelas que atingem o Brasil, bem antes da Copa. Certo ou não – há quem defenda os dois pontos de vista –, o Fenômeno disse o que está em sua cabeça. Mais: disse o que está na cabeça de todo mundo. Não é mesmo irritante ver meia dúzia de manifestantes parar uma BR a toda hora? E qual polícia do mundo aceitaria um black bloc da vida colocar o dedo em riste no nariz de um oficial comandante? Na sabatina realizada pela “Folha de S.Paulo”, ainda que meio nervoso e demonstrando desconforto, o ex-jogador falou sobre a vergonha que sente do Brasil. Novamente, deixou claro, a vergonha é fruto dos atrasos das obras de infraestrutura e de um legado aquém das expectativas da população. Não é isso o que falamos a toda hora? Por fim, fez elogios a Lula e a FHC, também preservando a presidente Dilma. Seu voto a Aécio e a manifestação desse apoio, feita dias atrás, têm, segundo ele, motivações pessoais. Sobre Neymar, novamente falou o que todo mundo fala. É um jogador que pode se transformar no melhor do mundo, mas, neste momento, fica atrás de Messi e de Cristiano Ronaldo. Que mal há nisso? Por fim, desabafou sobre o fato de “tomar porrada” há mais de dois anos, sendo responsabilizado por problemas de educação e saúde. Alegou que não é empreiteiro e que todo o dinheiro que ganhou foi de forma honesta. É mentira? As manifestações de Ronaldão, dessa vez, são mais sinceras que antes. Poderiam não ter sido feitas. Não mudaria nada. O fato de a Fifa tê-lo escolhido como embaixador da Copa é, por si, um oportunismo barato, de ambas as partes. Afinal, nunca se teve clareza de qual é o verdadeiro papel do ex-jogador. Ele, afinal, foi chamado para fazer o quê? Há dois anos, ao ser indicado com apoio de Ricardo Teixeira para o “cargo” de embaixador da Fifa, muitos imaginavam que essa seria uma forma de ele entrar para o mundo da cartolagem. Foi escolhido a contragosto de muitos. Certamente, uma coisa foi tê-lo como jogador, maior goleador do Brasil em Copas do Mundo, mas outra, completamente diferente, é fazer dele uma figura responsável por “aproximar os brasileiros da Copa”. As novas declarações, pelo menos, mostraram qual sua serventia. Enfim, encontrou motivo que justifique a sua participação no Mundial: a defesa incondicional do evento sob a perspectiva da Fifa, mesmo que, para isso, contrarie o establishment brasileiro, o mesmo que o bajulou pouquíssimo tempo atrás.

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