Desnutrição piora estado de idosos nos hospitais do país

Pesquisa mostra que 30% deles sofrem com o problema, e 70% estão suceptíveis

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Mais da metade dos pacientes idosos internados em hospitais brasileiros apresentam risco de desnutrição ou já estão desnutridos. Os dados são de um estudo desenvolvido pela Nestlé Health Science, que investigou o estado nutricional de 19.222 pacientes internados em 110 hospitais, localizados em 15 Estados brasileiros.

A pesquisa constatou que, enquanto 24% dos adultos apresentavam suspeita de desnutrição, 18,3% tinham desnutrição moderada e 5,7% apresentavam o problema na sua forma grave, entre os idosos o número é ainda mais preocupante. Na grande maioria dos pacientes idosos (69,2%), mais da metade (38,4%) apresentava risco de desnutrição e 30,8% já estavam desnutridos.

Para mapear a situação e identificar os riscos, a pesquisa contou com a participação de 300 estudantes de nutrição do Projeto Jovens Nutricionistas. Segundo a coordenadora do projeto, Roseli Borghi, a carência de nutrientes nessa faixa etária se torna ainda mais grave pela própria situação de vulnerabilidade da idade. “O idoso, por si só, está em um estado um pouco mais susceptível. Em função do envelhecimento, eles acabam perdendo massa muscular e, com isso, começam a ter dificuldades para deglutir determinados alimentos o que, no futuro, pode levar a complicações ocasionadas pela falta de nutrientes ou alguma doença crônica”, afirma a nutricionista.

A doença que levou à internação, as condições socioeconômicas e o sistema de saúde pouco equipado para atender aos pacientes foram alguns dos fatores apontados pela pesquisa como motivadores desse problema. Porém, outras condições como triagem, avaliação e intervenções nutricionais inadequadas durante a hospitalização também foram consideradas influenciadores.

Responsável pelos cuidados de uma mesma idosa há seis anos, Marilena Ferreira conta que a alimentação desse tipo de paciente é um desafio diário. “No início, dávamos uma sopa batida no liquidificador, e ela comia de colher, mas tinha muita dificuldade para abrir a boca. O movimento do maxilar era lento e tínhamos que ter muita paciência. Depois ela passou por dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e agora só se alimenta por sonda, o que também é muito difícil. Foi a minha maior dificuldade porque eu tinha medo dela engasgar”, disse a cuidadora de idosos.

O estudo mostrou que, independente da região do país, a alta incidência da desnutrição alerta para a necessidade de se aprimorar os processos de avaliação e acompanhamento nutricional, como forma de evitar complicações de saúde.

Após a pesquisa, os pacientes receberam propostas de intervenções para evitar ou reverter os quadros de desnutrição em diferentes graus.

De acordo com o diretor da divisão da Nestlé Health Science no Brasil, Marco Hidalgo, “como resultado prático, houve a evolução dos parâmetros nutricionais em pacientes adultos e idosos, que facilitam a tomada de decisões em relação à alimentação e suplementação dos pacientes”.

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