Excesso de pornografia encolhe o cérebro e afeta a vida sexual

Estudo feito nos EUA recrutou 64 homens saudáveis, entre 21 e 45 anos

iG Minas Gerais | Da redação |

Mente. Ato de ver pornografia por horas afetaria o volume de matéria cinzenta no corpo estriado direito do cérebro
Pedro Vilela/ O Tempo
Mente. Ato de ver pornografia por horas afetaria o volume de matéria cinzenta no corpo estriado direito do cérebro

Os homens que são fãs assíduos de pornografia devem ficar em alerta: uma pesquisa feita nos Estados Unidos aponta que ver esse tipo de conteúdo em excesso pode encolher o cérebro e ainda afetar a resposta aos estímulos sexuais. Essa é a primeira vez que os cientistas apontam que a pornografia pode ser nociva ao cérebro.

Pesquisadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim descobriram que uma parte do cérebro que ativa quando as pessoas se sentem motivadas ou recompensadas encolhe e funciona de forma menos eficiente.

“Encontramos um importante vínculo negativo entre o ato de ver pornografia durante várias horas por semana e o volume de matéria cinzenta no corpo estriado direito do cérebro”, assim como a atividade do córtex pré-frontal, dizem os pesquisadores.

“Esses efeitos poderiam incluir mudanças na plasticidade neuronal resultante de intensa estimulação no centro do prazer”, acrescentou o estudo, publicado na edição online da revista “JAMA Psychiatry”, da Associação Médica Americana.

Para o estudo, a doutora Simone Kühn e seu colega Jurgen Gallinat, da Universidade Charité, também em Berlim, recrutaram 64 homens saudáveis, com idades entre 21 e 45 anos. Eles tiveram que responder perguntas sobre seus hábitos de consumo de pornografia.

Os voluntários também foram submetidos a um exame de ressonância magnética do cérebro para medir seu volume e observar como ele reagia às imagens pornográficas.

Os pesquisadores encontraram diferenças notáveis nos homens que se abstiveram desse tipo de conteúdo em comparação com aqueles que acessavam regularmente vídeos ou viam imagens de conteúdo sexual.

Com moderação. Por outro lado, segundo outros pesquisadores, o acesso moderado à pornografia provavelmente não é prejudicial.

“Tudo vai ser ruim em excesso, e provavelmente não é terrível com moderação”, afirmou ao jornal “The Telegraph” o doutor Gregory Tau, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Ele não estava envolvido no estudo e considera que novas pesquisas precisam ser feitas na área.

Flash

Conexão. Quanto maior o consumo de pornografia, mais se deterioravam as conexões entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal, afirmou o estudo.

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