Imagens sacras desaparecem

Com alta incidência de furtos e vandalismo no cemitério, administração cria plano de segurança

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Vandalismo. Muitas peças são alvos de vandalismo
Joao Godinho/O Tempo
Vandalismo. Muitas peças são alvos de vandalismo

No altar reservado aos santos e na cruz onde havia uma imagem de Cristo, só restaram os parafusos. De túmulo em túmulo no tradicional cemitério do Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte, as peças sacras desaparecem nas mãos de ladrões e vândalos. Só nos fins de semana, somem entre duas e quatro esculturas, segundo a administração do local. Os furtos se tornaram tão frequentes que a Divisão de Necrópoles da Fundação de Parques Municipais implantou uma série de ações para tentar conter o problema.

De acordo com o chefe da Divisão de Necrópoles I, Marcos Alexandre Faustino Reis, mais de cem peças furtadas estão na sala da administração do cemitério aguardando identificação. Algumas foram encontradas soltas dentro do próprio cemitério e outras foram parar na delegacia. Uma das imagens foi recuperada na madrugada dessa sexta, no muro do Bonfim. “Tem gente que remove o objeto, mas não consegue carregar”, relatou Reis.

A Guarda Municipal, responsável pela segurança no cemitério, não apresentou dados deste ano e informou que em 2013 foram registrados 11 furtos. No entanto, quem visita o Bonfim com frequência diz que o número é muito maior. “Perto do túmulo da minha mãe, observei o sumiço de mais de 20 imagens em um ano. Tem muita gente reclamando”, afirmou o administrador de empresas Daniel Augusto Bergo, 37.

O comerciante Gilberto Passos, 63, também mostrou uma capela sem santo e outros três túmulos que foram violados perto do lugar onde seu filho foi enterrado, há um ano. “Eles abrem o jazigo para roubar dentes de ouro”, disse Passos.

Ação. Reis informou que muitos furtos são praticados por usuários de crack, que vendem as peças a preços insignificantes para comprar a droga.

Para coibir o crime, desde o último Dia das Mães, o portão que dá acesso ao cemitério pela rua Dalva fica fechado no período da noite. Um levantamento dos zeladores e construtores contratados pelas famílias está sendo feito para controlar quem trabalha no local. “Fiz nessa quinta uma reunião com eles (trabalhadores) para alertar sobre os furtos”, concluiu Reis.

Saiba mais

Recuperar. Quem teve uma peça furtada no cemitério do Bonfim pode procurar a administração do local, que fica próximo as salas de velório, para verificar se a imagem sacra está entre as mais de cem que foram recuperadas.

Identificação. Para entregar a imagem à família, a equipe da administração faz uma entrevista com ela e verifica se a imagem se encaixa no túmulo e nos sinais deixados pelo tempo.

Cadeados. Para evitar novos furtos, há até vaso de flores protegido com corrente e cadeado no Bonfim.

Muros são baixos e sem proteção Muros baixos e sem cerca elétrica facilitam a ação de vândalos e ladrões no cemitério do Bonfim. A Fundação de Parques Municipais não informou se há previsão de reforma. A única promessa é instalar um sistema de videomonitoramento até o fim do ano. O número de guardas municipais no local também foi questionado por visitantes. A média é de três por dia, segundo zeladores. A Guarda Municipal não informou o efetivo, mas alegou que emprega vários agentes durante as 24 horas do dia.

História

Acervo. Aberto em 1897, o cemitério do Nosso Senhor do Bonfim tem 160 mil m² e 17.360 sepulturas, com grande acervo de esculturas em estilos da belle époque ao modernismo.

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