Onde os filmes renascem

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Abraço. Luiz Rosemberg Filho recebe homenagem na abertura do CineOP, na quinta à noite
Nereu JR 2013
Abraço. Luiz Rosemberg Filho recebe homenagem na abertura do CineOP, na quinta à noite

Ouro Preto. “Como nascem e como morrem os filmes? Para onde vão os filmes que eu vejo?”. Seria difícil encontrar uma forma mais adequada de dar início à 9ª CineOP do que as perguntas feitas por Cosme Alves Netto no documentário em seu tributo, “Tudo por Amor ao Cinema”. Ainda que a homenagem ao ex-curador da Cinemateca do MAM-RJ tenha sido póstuma, sua presença foi a mais marcante na abertura da Mostra de Cinema de Ouro Preto, na quinta à noite, e sua paixão pela história e pela preservação do cinema nacional foram a nota inicial perfeita para a melodia barroca do festival.

Esse espírito continua hoje com dois grandes clássicos independentes do cinema nacional. Às 18h, no Cine Vila Rica, o público confere toda a marginalidade de “Copacabana Mon Amour”. O filme de 1970, que nunca foi lançado comercialmente no Brasil, foi remontado várias vezes por seu diretor Rogério Sganzerla e já contou com nove versões diferentes – algumas delas com, e outras sem, trilha de Gilberto Gil.

A versão do longa – que acompanha uma “loira oxigenada” e seu irmão transitando pelo Rio dos anos 70 – exibida na mostra será a restauração feita recentemente na Cinemateca do MAM.

Já às 20h, é a vez do homenageado Luiz Rosemberg Filho apresentar uma de suas obras mais aclamadas ao lado do montador, também homenageado, Ricardo Miranda. “Crônica de um Industrial”, realizado em 1978, que retrata a crise dos valores políticos e morais da época. Na produção, o radicalismo característico do diretor se traduz numa intimidade claustrofóbica com o protagonista e numa das grandes obras de autor do cinema nacional. Como o diretor comentou ao receber sua homenagem das mãos do professor Paulo Augusto Gomes na abertura, seus filmes são “uma carta de amor para aqueles que acreditam que o cinema é uma coisa épica, e não hípica”.

Neste sábado, a programação traz quatro sessões de curtas – às 15h30, 17h30, 21h45 e 22h30, “Pipiripau, o Mundo de Raimundo”, às 20h30, e, às 11h30, sai o tradicional Cortejo da Arte.

O repórter viajou a convite do festival.

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