Humberto Werneck lança “Sonhos Rebobinados”

Após “O Espalhador de Passarinhos” e “Esse Inferno Vai Acabar”, autor volta a fazer coletânea

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Cronista mineiro é conhecido pelo bom humor em seu trabalho
Lilo Clareto
Cronista mineiro é conhecido pelo bom humor em seu trabalho

O saudosismo parece ser algo intrínseco à memória, certo? Errado! Pelo menos, assim pensa o cronista Humberto Werneck, que lança “Sonhos Rebobinados” hoje na Livraria Quixote.

“Várias crônicas do livro vão, de fato, por uma picada memorialística, mas sem saudosismo, coisa que me causa horror. Mas essa picada memorialística é apenas uma neste livro. Eu diria que muitas de minhas crônicas poderiam ser consideradas pequenos contos. Outras, como ‘Meu Quixote’, em que falo de meu pai, Hugo Werneck, têm uma pegada mais lírica”, diz.

O volume “Sonhos Rebobinados” é uma reunião de 54 crônicas selecionadas entre as que o jornalista vem publicando semanalmente no jornal O Estado de S. Paulo desde 2010. É sua terceira coletânea no gênero – antes dela vieram “O Espalhador de Passarinhos”, em 2010, e “Esse Inferno Vai Acabar”, em 2011.

No livro, o leitor poderá ver, mais uma vez, uma das qualidades marcantes de Werneck: seu senso de humor. “O humor é muito presente nas crônicas deste livro, tanto quanto nos outros de crônicas. E também em ‘O Desatino da Rapaziada’, em que conto meio século de vida literária e jornalística de Belo Horizonte. É bem um jeito meu de olhar o mundo, as pessoas, a vida. O bom humor é que me permitiu, por exemplo, observar que o Facebook pode ser um ‘cemitério virtual’ – O sujeito morre e continua vivo lá. O Facebook, talvez, seja a tal vida eterna”, brinca ele.

Assim como a poesia era para Manoel de Barros, a possibilidade de “voar fora da asa”, a literatura é para Werneck a possibilidade de fugir da rotina da redação. “O jornalista é obrigado a caminhar no trilho da realidade. Além disso, a palavra, no jornalismo, é meio de dizer alguma coisa. Na literatura, ao contrário, a palavra é fim em si, já que o modo de dizer alguma coisa pode ser, e frequentemente é, mais importante do que a coisa que está sendo dita”

Nascido na capital das Alterosas, Werneck avalia que seria impossível tecer uma narrativa de memórias, ainda que eventuais e pouco saudosas, sem passar por Belo Horizonte. “Passei aqui os primeiros 25 anos de minha vida, e seria para mim impossível fugir, se quisesse, ao peso que a cidade teve na minha formação. Publicadas num jornal paulistano, várias de minhas crônicas trazem um selo forte de Belo Horizonte. Algumas presentes no livro têm essa marca. Histórias de meu tempo de Colégio Estadual, por exemplo. Escaramuças com professores e inspetores de ensino no colégio. Uma breve experiência como operário de uma fábrica de tecidos no bairro da Renascença, aos 15 anos, como castigo por ter tomado bomba. Os 17 dias que passei numa cela do DOPS, na avenida Afonso Pena, por ter participado de uma passeata estudantil”, detalha o autor.

Lançamento

Sonhos Rebobinados. Hoje, às 11h, na Quixote Livraria (rua Fernandes Tourinho, 474, Savassi). O livro custa R$ 35

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