Produção vem na esteira de série de filmes sobre tema

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Cena “God Loves Uganda
Motto pictures/divulgação
Cena “God Loves Uganda", sobre missionários religiosos e a Aids

Apesar de a peça ter sido escrita em 1985, e recebido aclamações unânimes da crítica e do público, “The Normal Heart” só ganhou uma adaptação hollywoodiana 30 anos depois. Barbara Streisand comprou os direitos de adaptação e quis dirigir o filme por muitos anos, mas nunca conseguiu tirá-lo do chão.  

Dois motivos podem ser apontados pela demora. O primeiro é que, apesar de o preconceito ainda existir, o prognóstico e a qualidade de vida permitida pelos tratamentos atuais fazem da Aids um tabu menos assustador e um tema menos dolorido. Mas o principal é que, mesmo com sua origem pioneira, o telefilme da HBO dá continuação a uma série de produções recentes que decidiram tocar na ferida e denuncia os crimes cometidos por governos e pela indústria farmacêutica ao abandonarem as primeiras vítimas do HIV à própria sorte.

A principal delas é provavelmente “Como Sobreviver à Praga”. O documentário indicado ao Oscar em 2013 serve como uma espécie de continuação dos eventos retratados em “The Normal Heart”. Não por acaso, o autor Larry Kramer também é um de seus personagens. Ele foi um dos criadores, em 1987, do ACT UP – grupo que tem sua história narrada pelo filme e que é hoje considerado um dos grandes responsáveis pelas primeiras mudanças nas políticas públicas de saúde com relação à doença. Uma visão complementar dessa mesma história, só que em São Francisco, pode ser conferida no documentário “Estávamos Aqui”, de 2011.

O mais popular da safra, com certeza, é o “Clube de Compras Dallas” que deu o Oscar de melhor ator neste ano a Matthew McCounaghey. Ao contar a história de uma vítima heterossexual do vírus – que, por sinal, se inspirou no ACT UP para criar o clube do título – o longa de Jean-Marc Vallée encontrou uma forma de transformar a amarga realidade em uma narrativa palatável para o grande público.

“Clube de Compras” não foi, no entanto, a única produção a abordar o tema no Oscar 2014. A história real de “Philomena” também envolve um encontro com a doença. E por mais que o filme resista em apontar dedos, sugere também o incômodo papel da Igreja em todo o sangue vertido desnecessariamente.

Um longa que faz essa acusação sem muitas papas na película é o revoltante “God Loves Uganda”. O filme de Roger Ross Williams, que fez parte da pré-lista aos indicados ao Oscar de melhor documentário deste ano, revela o papel das igrejas neopentecostais norte-americanas no financiamento de legislações homofóbicas na África. Além de exterminarem a cultura local, convertendo africanos ao seu cristianismo fundamentalista, os missionários são apontados como os grandes responsáveis pelos níveis crescentes de HIV no continente, ao pregarem a proibição do uso de preservativos.

Já o papel da indústria farmacêutica nesses índices foi discutido em 2005 por “O Jardineiro Fiel”, do brasileiro Fernando Meirelles. Uma década antes dele, “Philadelphia” não pode deixar de ser citado como um dos primeiros filmes que levou a Aids para uma produção mainstream. Mais importante que eles, porém, é o telefilme “E a Vida Continua”, dirigido por Roger Spottiswoode em 1993, que conta a “história dos laboratórios”, acompanhando os primeiros médicos que pesquisaram o vírus.

Aids no cinema 5 filmes fundamentais para entender a história da doença “The Normal Heart” (2014) “God Loves Uganda” (2013) “Como Sobreviver à Praga” (2012) “Estávamos Aqui” (2011) “E a Vida Continua” (1993)

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