Responsável pelo amarelo do Brasil, gaúcho diz que criou camisa azul

Segundo Aldyr Schlee, seleção de 1958 já deixou o país com um segundo uniforme na bagagem, bem diferente da versão que a final foi com um uniforme improvisado

iG Minas Gerais | VICTOR MARTINS |

Esportes - Belo Horizonte, Mg. Aldyr Schlee, criador da camisa verde amarela da selecao brasileira. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 30.5.14
LEO FONTES / O TEMPO
Esportes - Belo Horizonte, Mg. Aldyr Schlee, criador da camisa verde amarela da selecao brasileira. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 30.5.14

Uma das lendas que existem no futebol brasileiro é de como surgiu a camisa azul da seleção brasileira. A história mais comum é de que o Brasil foi impedido de vestir amarelo na final de 1958 contra a Suécia, depois de perder no sorteio. Sem alternativa, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, teria mandado o massagista comprar um uniforme alternativo. História rechaçada por Aldyr Schlee, o criador da camisa canarinho.

De acordo com o gaúcho que venceu um concurso realizado em 1953, ele também desenhou o segundo uniforme para a seleção brasileira. “Aquela tolice que foi inventada, que o Paulo Machado de Carvalho teve de comprar correndo o novo uniforme. Brasil foi pra Copa e levou o uniforme dois, com certeza. A pessoa mais interessada era eu. Era a chance que o Brasil tinha de ganhar a Copa e usando o uniforme que desenhei. Estava atento sobre aquilo”.

Como na final diante da Suécia o Brasil vestiu a camisa azul, pela segunda vez na história, a primeira foi em 1937, quando jogou com o uniforme emprestado pelo Boca Juniors, se criou a lenda de que o uniforme foi feito às pressas. Com o tempo, essa versão da história ganhou força e até o relato dos jogadores. De acordo com algumas pessoas, os números amarelos, na verdade, eram as camisas usadas na campanha até então. Os escudos também teriam sido retirados da camisa canarinho. Versão que Aldyr faz questão de dizer que não é verdadeira.

“A camisa azul estava sugerida, junto da camisa canarinho. Não tinha o desenho, mas escrevi a sugestão de um segundo uniforme azul. Assim como desenhei a gola polo e fiz sugestão da gola olímpica, como era a seleção de 1970. Então, a camisa azul foi levada para Suécia. A mentira é grotesca e se desmente facilmente. Primeiro, nenhuma seleção tem apenas um uniforme, não vão para a Copa apenas um jogo de camisa. Segundo, é que inventaram que foi comprada num domingo de manhã, pelo massagista. E como daria tempo de costurar tudo? De onde saiu que estava tão direitinho, os números, o escudo?. Quero desmentir isso”, disse Aldyr, que pelo visto criou também o segundo uniforme da seleção brasileira.

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