Criador da camisa canarinho vem a BH para receber homenagem

Gaúcho Aldyr Schlee venceu concurso para a escolha da camisa da seleção brasileira, em 1953. Foi dele o desenho com a camisa amarela e verde, o calção azul e meia branca.

iG Minas Gerais | VICTOR MARTINS |

Esportes - Belo Horizonte, Mg. Aldyr Schlee, criador da camisa verde amarela da selecao brasileira. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 30.5.14
LEO FONTES / O TEMPO
Esportes - Belo Horizonte, Mg. Aldyr Schlee, criador da camisa verde amarela da selecao brasileira. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 30.5.14

Três anos depois da derrota para o Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1950, aquela partida ainda estava muito viva na memória de todos os brasileiros. Com mais um Mundial se aproximando, a Confederação Brasileira de Desportos, na época ainda não existia a CBF, decidiu criar um concurso para mudar o uniforme da seleção brasileira de futebol. Até então o Brasil vestia camisa branca com detalhes azuis. Os calções e os meiões também eram brancos.

Junto do jornal carioca Correio da Manhã, a CBD lançou um concurso que teve a participação de mais 200 pessoas. O regulamento previa que o novo modelo de uniforme devia contemplar as quatro cores da bandeira nacional, portanto o verde, o amarelo, o azul e o branco. Depois de muitos desenhos, o gaúcho Aldyr Garcia Schlee enviou um modelo que se tornou conhecido em todo o mundo: meião branco, calção azul e camisa amarela com detalhes verdes.

No dia 17 de dezembro de 1953 o Correio da Manhã informou o vencedor. A estreia, no entanto, aconteceu apenas no ano seguinte, na vitória por 2 a 0 sobre o Chile, em Santiago, dia 28 de fevereiro. Ainda antes de fazer o primeiro jogo em casa, o Brasil venceu o Paraguai, em Assunção, por 1 a 0.

Então chegou o dia 14 de março de 1954. Quase 200 mil pessoas no Maracanã para o jogo com o Chile, pelas Eliminatórias do Mundial que seria disputado na Suíça, meses depois. Entre os presentes estava Aldyr, que pela primeira vez viu a seleção entrar em campo vestindo a camisa canarinho, como carinhosamente ele se refere.

No futebol não existe nenhuma outra camisa tão pesada e importante como é a da seleção brasileira. A camisa amarela se tornou uma referência para brasileiros no exterior é o souvenir preferido de quase todos os estrangeiros. O sucesso da camisa amarela e verde, segundo o próprio Aldyr, se deve apenas aos jogadores.

“Eu tenho repetido sempre, pois estou plenamente convicto que o mérito que tive ao ganhar o concurso em 1953 foi relativo, serviu para passar a bandeira para o novo uniforme. Era uma exigência do regulamento. Depois quem se encarregou em tornar isso em algo extraordinário, consagrado, foram os craques. Eles que transformaram a camiseta canarinho num símbolo do país”.

Em Belo Horizonte por conta do Cinefoot - Festival de Cinema e Futebol -, já que Aldyr vai ser um dos homenageados, o gaúcho aproveita para conhecer um pouco mais da capital, já que tem também 60 anos que ele não visita a cidade. A primeira e única vez em Belo Horizonte foi em 1954, quando ainda era estudante e esteve na capital mineira para ver uma palestra.

Com mais uma Copa do Mundo perto, agora dentro de casa, o assunto camisa da seleção ganha destaque. E o modelo desenhado pela americana Nike não agradou em nada ao criador da camisa canarinho. “A camisa está dentro do padrão, mas é péssimo o modelo escolhido, por conta da gola. É pobre e aquela gola em Y verde remete a um pijama, não para um camisa de futebol. E olha que a mesma fornecedora faz camisas para outras seleções e veja a dignidade nas camisas de Inglaterra e Holanda, por exemplo. São modelos sucintos.”

Neste sábado, Aldyr vai reviver um pouco do passado e ajudar no desenho da “nova” camisa da seleção brasileira. Algumas crianças entre 5 e 12 anos vão ter a oportunidade de criarem suas respectivas versões para o uniforme da seleção brasileira. Todos deram uma ajuda do criador da camisa canarinho, em evento que vai acontecer Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade.

Torcedor do Uruguai, Aldyr acredita que a final de 1950 pode se repetir em 2014. No entanto, não vai ser tarefa fácil para nenhuma das duas equipes. Mesmo não sendo torcedor da seleção brasileira, esse ano ele vai abrir uma exceção. “A seleção do Uruguai tem chances, mas está num grupo difícil, que tem duas fortes equipes, também campeãs do mundo. Uruguai pode até perder e classificar, desde que vença a Costa Rica e ganha da Inglaterra ou da Itália. E pelo cruzamento, a fase seguinte pode ser menos complicado e ir avançando até a final. Já o Brasil corre um risco, pois deve passar bem na primeira fase e, em seguida, já vai encontrar com um time que vai ser entre Espanha e Holanda. Isso num momento que já não pode perder mais. Sou otimista, não acredito em milagre. O Brasil vai tem chances, fundamentalmente por jogar em casa. O Uruguai também pode chegar. Naturalmente que nessa situação eu vou torcer para o Brasil.”

Mesmo assim ele não aponta quem vai ser o craque do Mundial, mas esse já tem lugar guardado em mais uma obra de Aldyr. Na verdade, um hobby, que começou em 1950, quando ele ainda tinha 14 anos. Todos os anos ele mesmo faz o álbum, com ilustrações dos jogadores, dos jogos e detalhes de cada partida. “Meu álbum particular já está pronto. Falta agora começar os jogos para começar a fazer os desenhos”.

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