Comissão da verdade faz perícia para esclarecer morte de Stuart no RJ

Presidente da comissão esteve na base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, para identificar quatro pontos de tortura e prisão ilegal

iG Minas Gerais | Folhapress |

Pedro Dallari esteve na base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, nesta sexta-feira (30), para identificar quatro pontos de tortura e prisão ilegal
Alessandro Dantas/Ag. Senad0 - 26.11.2013
Pedro Dallari esteve na base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, nesta sexta-feira (30), para identificar quatro pontos de tortura e prisão ilegal

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) realizou perícia na manhã desta sexta-feira (30) na Base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, para esclarecer as circunstâncias da morte do ativista político Stuart Angel Jones, durante a ditadura militar. O jovem desapareceu aos 25 anos após ter sido torturado por militares.

O grupo deve lançar nos próximos dias um novo relatório sobre a morte do ativista. A informação foi divulgada pelo presidente da comissão, Pedro Dallari, que participou da diligência pericial na base aérea, que seria um dos locais onde aconteceram torturas na época. Ele diz que espera que o novo relatório possa virar referência para abertura de inquérito criminal pelo Ministério Público.

"Aqui foi um centro de tortura e, possivelmente, de morte. O caso de Stuart Angel, por exemplo, é um caso em que a comissão está com muita convicção que ele morreu aqui. E isso é um indicativo da relevância desse lugar do ponto de vista da repressão", afirmou Dallari.

O presidente da comissão esteve na base para identificar quatro pontos de tortura e prisão ilegal, junto de José Carlos Dias, Rosa Cardoso e Maria Rita Kehl, que também integram a comissão, além de peritos, testemunhas de tortura e ex-presos políticos.

Convidado a participar da perícia, o ex-cabo da Aeronáutica José Bezerra da Silva, uma das testemunhas de que Stuart foi torturado na unidade garante ter visto o ativista ainda vivo "entrar em uma ambulância "após sessões de espancamento".

Ele apontou aos peritos da comissão o local exato onde o jovem foi colocado na ambulância. "Foram torturando ele pelo caminho, da ambulância até o dentista [torturador], que inclusive abriu minha gengiva para me torturar também. Lá tiraram o capuz da cabeça dele, que estava apavorado, e vi que tinha grandes hematomas no rosto. Depois, me tiraram de lá e não vi mais", lembrou o ex-cabo, que afirmou que também foi torturado por reclamar com um tenente que os militares estavam sendo "covardes" em espancar o ativista, sem que ele tivesse defesa.

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