Alunos da PUC farão ato de repúdio a racismo ocorrido no campus

Estudante de Relações Internacionais foi abordado por seguranças duas vezes à pedido de professora, que o achou "suspeito" apenas por ser negro

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Cartazes foram espalhados pela escola nesta manhã e, segundo os alunos, foram recolhidos pouco tempo depois por dois funcionários negros da instituição
Reprodução Facebook
Cartazes foram espalhados pela escola nesta manhã e, segundo os alunos, foram recolhidos pouco tempo depois por dois funcionários negros da instituição

Alunos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste de Belo Horizonte, farão um ato público na noite desta sexta-feira (30) contra um caso de racismo registrado nas dependências do campus, ocorrido na última quinta-feira (22). 

De acordo com os estudantes, o aluno de Relações Internacionais Victor Miguel Gomes Cá, que é do país africano de Guiné Bissau, foi abordado por seguranças no prédio 47 supostamente à pedido de uma professora de arquitetura que o achou "suspeito", somente por se tratar de um aluno negro. Segundo colega de sala do estudante, Luiz Carlos Vieira, de 20, somente nesta quarta-feira (28) a vítima do ato racista resolveu compartilhar o ocorrido. 

"Ele contou que estava andando quando foi abordado por um guarda do campus, que pediu a carteirinha da PUC. Como ele estava longe da sala, não tinha como apresentá-la na hora. Quando estava chegando na sala dois seguranças voltaram a interpelar ele", contou. Algumas pessoas que estava próximas teriam visto o que ocorreu e foram conversar com ele, que inicialmente disseram que havia sido uma denúncia anônima contra Cá.

"Após algum tempo de diálogo eles acabaram revelando que era esta professora a autora da denúncia", contou o aluno. O ato contra o racismo,  está previsto para começar às 19h. Além do protesto, os universitários também iniciaram uma petição pública na internet que visa a apuração do caso de racismo; a sansão da professora responsável; uma retratação pública da PUC sobre o caso; e que sejam feitas sanções para professores e funcionários que cometerem atitudes opressivas. 

O outro lado

De acordo com alunos do curso de Arquitetura da PUC, a professora fará uma carta aberta explicando sobre o ocorrido. "Vamos esperar para ouvir os dois lados, até mesmo porque ela é muito querida por todos nós. Está tudo muito mal explicado, acho que o pessoal está exagerando com esse ato", disse um aluno que preferiu não ser identificado.

A assessoria de imprensa da PUC informou que tudo que foge da normalidade dentro dos campus é investigado. Por isso, duas comissões estão apurando o que realmente aconteceu para saber se realmente houve atitudes descriminatórias e, caso se confirme, as responsabilidade serão apuradas e as punições tomadas de acordo com o regimento da universidade. 

Leia tudo sobre: racismopucguiné bissaualunopreconceitosuspeitonegro