PMDB de Minas colocou 'etiqueta de preço' para o PT, diz tucanos

Fala é reação aos peemedebistas, cujo presidente Antonio Andrade, mencionou uma suposta oferta de R$ 20 milhões feita pelo PSDB ao partido para formar uma aliança eleitoral

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A coordenação da campanha do PSDB ao governo de Minas Gerais que será empossada em junho acusou o PMDB nesta sexta-feira (30) de "colocar uma etiqueta de preço" para o PT ao falar em necessidade de R$ 20 milhões para eleger seus deputados.

Trata-se de uma reação dos tucanos mineiros ao PMDB do Estado, cujo presidente, o deputado federal Antonio Andrade, mencionou uma suposta oferta de R$ 20 milhões feita pelo PSDB ao partido para formar uma aliança eleitoral. O PMDB já sinalizou que fará aliança com o PT em Minas.

"O que ele [Andrade] colocou foi uma etiqueta de preço no partido [PMDB], talvez dando um recado ao PT, dando o valor que eles querem", disse Nárcio Rodrigues, ex-presidente do PSDB-MG e secretário de Ciência e Tecnologia de Minas.

O PSDB de Minas negou a oferta financeira, mas reconhece que teve conversas com o PMDB para formar uma "aliança programática".

Rodrigues disse que há quatro anos, quando presidia o PSDB mineiro, conversou com Andrade, quando houve um esforço ainda maior para ter o PMDB entre os aliados.

"A conversa sempre foi de aliança programática. Nós temos história em Minas, é a nossa quarta eleição [consecutiva] para o governo de Minas com perspectiva de vitória. Nós nunca tratamos de nenhuma aliança política nesses termos que o PMDB propõe."

Rodrigues será um dos três coordenadores da campanha do ex-ministro Pimenta da Veiga ao governo do Estado, juntamente com o presidente do PSD-MG e ex-secretário de Estado nas gestões do PSDB, Alexandre Silveira, e o atual secretário de Governo, Danilo de Castro –que só se incorporará à campanha no fim de julho.

Silveira disse que, na entrevista que Andrade concedeu à imprensa na segunda-feira (26), após reunião da executiva do PMDB-MG, foi o próprio peemedebista quem citou a cifra milionária. "Ele próprio disse que estava atrás de R$ 20 milhões. Ele estava, ninguém ofereceu para ele. E nem isso foi tratado, conforme o Pestana", disse Silveira, referindo-se à negativa do deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro.

Por meio de Pestana, o PSDB apresentou na quinta-feira (29) uma interpelação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra Andrade, para que ele confirme ou negue suas declarações. A notificação judicial poderá balizar um eventual processo.

Há três dias a reportagem tenta falar com Andrade, sem sucesso. Ele não respondeu os recados deixados em seu gabinete nem atendeu as ligações no celular.

IDEOLOGIA

Na mesma entrevista à imprensa em que Andrade falou da oferta de dinheiro, ele foi questionado sobre se o PT pagará os R$ 20 milhões para formar a aliança. Andrade disse que a aliança com o PT é "ideológica".

"De forma nenhuma tratamos disso com o PT. Não foi tratado com o PT questões financeiras, só questões ideológicas", afirmou ele na ocasião.

O pré-candidato tucano ao governo disse que ouviu "perplexo" a "acusação irresponsável" feita pelo presidente do PMDB. "A providência devida foi tomada, está no tribunal [STF]. Ele responderá por isso", disse Pimenta.

Questionado se esse episódio encerraria a tentativa de de ter o PMDB como aliado eleitoral, Pimenta respondeu: "Não tenha dúvidas que uma parte do PMDB nos apoia".

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