Minientrevista

“Se você fica insistindo, você vai perdendo o brilho”

iG Minas Gerais |

Por que o senhor optou por deixar a carreira política? Nós temos que ter consciência do momento exato de deixar a vida pública, senão vira ridículo. Se você fica insistindo, você vai perdendo o brilho. Eu vivi um momento da política de grandes lideranças. O Congresso aumentou de quantidade e perdeu em qualidade. Só se vai a Brasília hoje para ir para a televisão. Outro dia, eu vi uma denúncia de que vou pouco a Brasília; eu vou para Brasília toda semana, mas é que eu esqueço de botar o dedo lá (no marcador biométrico de presença). O que o senhor pretende fazer daqui pra frente? Eu estou muito preocupado com os negócios. No ano que vem, vamos ter muitas dificuldades. Vou ter que estar muito atento a isso.

Depois de muitos anos, o senhor apoiará um candidato do PT. O que houve? É um casamento forçado. Eu não amo o PT, mas nossa bancada para deputado federal é fraca. Precisamos dessa aliança proporcional. Qual conselho político dará a seu filho? Evitar puxa-saquismo. Isso não leva a lugar nenhum.

O senhor acha que Minas perdeu representatividade no Congresso? Muito. Minas não conseguiu o metrô de superfície, não conseguiu as BRs, não conseguiu o Anel Rodoviário. Faltou unidade da bancada para exigir do governo federal tudo isso.

O senhor sempre foi um homem muito polêmico. Quais amigos fez na política? Do PMDB antigo, o Tancredo Neves, o Jorge Ferraz: eram grandes amigos. Atualmente, o Michel Temer: eu fiz ele líder do PMDB. Fez muitos inimigos? Tenho muitos gratuitos. Se você for abrir mão, vira corrupção. O senhor já foi envolvido em muitas denúncias. Se preocupa com isso? Não. Se tivesse cometido qualquer errinho, já tinha sido preso. Quando fui governador, não tive nenhum processo. Se arrepende de algo? De jeito nenhum. Muito se falou da sua relação com o ex-governador Itamar Franco quando foi vice dele. Eram amigos? Fomos amigos quando o fizemos senador. Depois, ele disputou comigo o governo de Minas, eu o derrotei e ele se afastou de mim. O Itamar era doido, preguiçoso, não gostava de trabalhar. Ficava só na fazenda. Agia por impulso. Antes de ir para entrevistas, olhava no dicionário só para falar uma palavra difícil. O senhor é conhecido como “trator”. O que tem de mito e de verdade sobre sua fama de rico e influente? Comecei minha vida como comerciante. Fui casar tarde porque trabalhava de manhã, de tarde e de noite. Vendia de televisão e geladeira a rádio de pilha. Tinha seis lojas e não podia abrir uma firma porque não tinha idade suficiente. Isso com o seu esforço ou com a ajuda da família? Meu pai era um homem bom, mas pobre. Minha mãe era muito rica. Mexia com mineração e cartórios, mas não me ajudou, me incentivou. O senhor acha que ainda é muito influente? Nessas campanhas que fiz para o Clésio Andrade para a candidatura própria dele (ao governo de Minas), fui para o Norte de Minas. Em Montes Claros, a fila era para tirar foto comigo, e ninguém nem olhava pro Clésio. Sou muito conhecido. Qual a análise do senhor sobre a política hoje? Brasília tem um celeiro de gente boa, deputados sérios, mas meia dúzia de corruptos acaba com a gente. Essa CPI é verdadeira, a Petrobras só bota gente safada lá dentro. O PMDB mesmo tem muita gente. Todo mundo é do PMDB por interesse. O senhor e sua ex-mulher, Maria Lúcia Cardoso, continuam rompidos? Estamos na Justiça. Fui casado com separação total de bens, mas ela insiste em uma certidão falsa em comunhão de bens. Com um patrimônio desses, quem não quer? Duas mentiras contam: que roubei o lustre do Palácio e que a Lúcia foi ao shopping de helicóptero fazer compras.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave