Violência cresce, e média de crimes chega a 13 por dia

Dados alarmantes são da Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds); registro de 1.563 ocorrências nos quatro primeiros meses deste ano deixa a população assustada

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Comerciante se protege da violência com grades
Moisés Silva
Comerciante se protege da violência com grades

Moradores e comerciantes de Betim estão assustados com o aumento de crimes violentos – homicídio, latrocínio, tentativa de homicídio, sequestro e cárcere privado, roubo, extorsão mediante sequestro, estupro e tentativa de estupro – na cidade. Segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), somente entre janeiro e abril deste ano, foram registradas 1.563 ocorrências. O índice é 26% maior do que o do mesmo período de 2013, quando as polícias Civil e Militar registraram 1.240 queixas.

Ainda segundo balanço da secretaria, entre os crimes mais comuns estão os roubos. Das 1.563 ocorrências, 1.385 se referem a esse tipo de crime. Várias vítimas já foram assaltadas mais de uma vez, o que aumenta a insegurança. “A sensação é de pânico. A gente fica com medo, pois não sabe o que eles são capazes de fazer”, disse o dono de um comércio na rua Beirute, no bairro Duque de Caxias.

Em um ano, ele já foi assaltado três vezes. O último crime ocorreu na quinta-feira (22). Segundo ele, na ocasião, cinco ladrões amarraram funcionários e clientes e levaram vários aparelhos eletrônicos, além de celulares e dinheiro dos caixas. Os pais do empresário, que moram em uma casa próximo ao estabelecimento, também foram rendidos pelo grupo.

Revoltado, o dono da loja não registrou ocorrência. “Não há expectativa de apuração desses crimes. Tenho certeza de que é essa impunidade que fomenta cada vez mais a violência. O bandido não pode ter essa certeza de que vai roubar e continuar livre”, diz o empresário, que pediu para não ser identificado.

Ainda na rua Beirute, outros comerciantes que também foram assaltados trabalham com grades nas lojas. “Estamos reféns dos assaltantes”, disse um funcionário de uma mercearia que já foi assaltada sete vezes.

Nas lojas da avenida Governador Valadares, um dos principais corredores do centro da cidade, é difícil encontrar algum comerciante que ainda não foi roubado. A principal rota dos criminosos é a BR–381, que liga Betim a outros município da região metropolitana.

Há mais de 20 anos trabalhando no mesmo ponto, um proprietário se queixa do aumento da criminalidade. “Em seis meses, já fomos assaltados sete vezes. O mesmo criminoso chega ao estabelecimento, de cara limpa e armado, e anuncia o crime. Estou frustrado. Já pensei em passar o ponto adiante”, revela.

Imagens registradas pelas câmeras de monitoramento do estabelecimento ajudaram a polícia a identificar o assaltante. Segundo o empresário, o prejuízo só não é maior porque 90% das vendas são feitas em cartões de crédito. “O meu prejuízo maior não é financeiro, mas psicológico”.

Sequestro

Não são só os assaltos que preocupam. No sábado (24), uma jovem de 25 anos sofreu um sequestro-relâmpago em Betim. Esse é o segundo crime que acontece com ela em apenas um ano, na região Central.

Segundo a irmã da vítima, ela tinha acabado de estacionar na rua lateral do Betim Shopping, por volta das 16h, quando dois homens a renderam.

Ainda de acordo com a irmã, eles roubaram os R$ 100 que ela tinha na carteira e seguiram para a região da Ceasa-MG, onde tentaram sacar mais dinheiro, sem sucesso. “Minha irmã ficou no banco de trás do carro e conseguiu mandar uma mensagem dizendo que tinha sido sequestrada. Acionamos a polícia, mas como precisavam da placa do carro dela para fazermos a ocorrência, isso demorou uma hora”.

Em seguida, os criminosos seguiram para a região do Bandeirinhas. Quando eles estavam estacionando o carro, ela conseguiu fugir.

Para a irmã, é preciso reforçar o policiamento no centro, principalmente na região do shopping. “Os bandidos foram violentos. Ameaçaram com uma faca e chegaram a cortar uma mecha de cabelo dela para aterrorizá-la. Da outra vez, ela foi sequestrada na avenida Edmeia Lazzarotti, perto da Araújo, ou seja, em um local bem próximo. Por isso, acho que essa região merece mais atenção”.

Respostas

O assessor de imprensa do 33° batalhão, capitão Antuer Júnior, informou que o policiamento ostensivo acontece 24 horas por dia em Betim, principalmente na região Central. O militar informou ainda que a corporação está disposta a ouvir a população e que denúncias podem ser feitas através do telefone 181.

A Secretaria de Estado de Defesa Social também informou que realiza esforços constantes para a redução dos indicadores de criminalidade e aumento da sensação de segurança.

Já a Polícia Civil informou que trabalha efetivamente para solucionar todas as ocorrências de crimes no Estado.

 

 

 

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